História
Mercês nasceu filha de Pomba e demorou um século para deixar de depender dela — e, em matéria criminal, nunca deixou por inteiro. O povoado de Nossa Senhora das Mercês do Pomba surgiu na órbita da catequese que o padre Manoel de Jesus Maria fundou em 1767, depois de sair de Vila Rica com um curador de índios e oito índios domésticos, chegar a cavalo até Guará-Piranga e fazer o resto do caminho a pé, carregando a bagagem nas costas pela mata virgem, porque não havia estradas. Dessa missão saíram, além de Mercês, as cidades de Pomba, Guarani, Rio Novo, Rio Branco, Ubá, Lima Duarte, São João Nepomuceno, Cataguases e Alto Rio Doce — o mapa inteiro que reaparece hoje nas tabelas de competência desta ficha. O distrito veio pela Lei Provincial nº 209, de 7 de abril de 1841; a emancipação de Pomba, pela Lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, com instalação da vila em 1º de junho de 1912; o status de cidade, pela Lei estadual nº 893, de 10 de setembro de 1925. No meio disso, o episódio que os mercesanos contam: em 7 de dezembro de 1856 um Presidente da Província despachou ato de nomeação encabeçado "Palácio do Governo da Província de Minas Gerais, em Mercês do Pomba" — a cidade foi capital de Minas por um dia, por força do lugar onde o governante estava sentado. Treze anos depois, em 24 de setembro de 1869, o centenário da capelinha local reuniu Mariano Procópio Ferreira Lages e Honório Ferreira Armond, o futuro barão de Pitangui. A infraestrutura chegou devagar e por etapas: correio regular em 1858, ramal ferroviário até Palmira em 1914, primeiro grupo escolar em 1917, telégrafo, água potável e luz elétrica em 1918. O fórum próprio, só em 1989 — setenta e oito anos depois da emancipação política.