História
A história de Tocantins é a de um lugar que trocou de nome quatro vezes e de mãe duas, e que no fim voltou para a primeira. Começa numa disputa de terra: por volta de 1812 o capitão José Antônio Machado e o alferes Manoel Joaquim da Rocha, brigados havia tempo por uma faixa que ambos diziam sua, resolveram o impasse doando-a como patrimônio. O ponto era conhecido como São José da Prateleira, nome que os tropeiros deram por causa de uma choupana à beira da estrada com a imagem do santo sobre uma prateleira de madeira tosca. Da doação nasceu a irmandade, da irmandade a capela e da capela o povoado. A Lei provincial nº 1.492, de 13 de julho de 1868, criou o distrito com o nome de São José do Paraopeba; a Lei provincial nº 2.500, de 12 de novembro de 1878, trocou para São José dos Tocantins; e a Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, encurtou para Tocantins, na mesma tabela em que Sapé virou Santana do Sapé — dois distritos do mesmo município rebatizados de uma vez. E o município era Ubá: o quadro territorial dessa lei de 1923 lista, sob o título UBÁ, os distritos Ubá, Sapé, Tocantins, Rodeiro, Divino de Ubá e Conceição do Turvo. Antes de Ubá a região olhava para São Manoel do Pomba, a atual Rio Pomba, a que o território pertenceu em tempos idos. A emancipação veio pela Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, que criou Tocantins sob o número 67 de um rol de municípios novos, com as divisas descritas curso d'água por curso d'água — a lei cita a travessia da estrada que vai de Ubá a Beija-Flor, o ribeirão São Domingos margeando a estrada de ferro e as estações de Ligação e Tocantins na Leopoldina —, e a instalação foi no primeiro dia de 1949. Rodeiro, distrito irmão na mesma lista de 1923, seguiu o mesmo caminho e hoje é o vizinho de comarca. Cinquenta e três anos depois da emancipação, em 2001, a LC 59 criou a Comarca de Tocantins. Ela nunca foi instalada, e por isso a jurisdição continua onde estava desde antes de o município existir: em Ubá.