História
A história de Astolfo Dutra é a história de um porto de rio que trocou de município três vezes antes de virar cidade. O verbete do IBGE conta que, por volta de 1770, desbravadores paulistas e portugueses chegaram às margens do Rio Pomba atraídos pelo ouro, pela terra fértil e pela caça e pesca, e que entre os primeiros moradores estavam Ângelo Gomes Moreira, João Marques da Costa e Afonso de Lemos, que doaram terras para o patrimônio e construíram a Capela de Santo Antônio em 1816. A Prefeitura guarda o documento dessa doação, datado de Barbacena, 30 de janeiro de 1816, que fala do "Patrimônio de Santo Antônio do Porto Alegre de Ubá, freguesia do Pomba, comarca de Barbacena". A região, antes disso, era território dos índios Puri. O lugar pertenceu primeiro à Vila do Pomba, hoje Rio Pomba; a página municipal de história registra uma sequência de leis provinciais que o passaram para São João Nepomuceno em 1841, o devolveram ao Pomba em 1848, o suprimiram como distrito em 1850, o restauraram em 1855 e mudaram várias vezes a sede da freguesia entre o Porto e o arraial do Espírito Santo, hoje Guarani. O verbete do IBGE registra a criação do distrito de Porto de Santo Antônio pela lei provincial nº 2.035, de 1º de dezembro de 1873, subordinado ao Pomba. A virada veio com a lei provincial nº 3.589, de 28 de agosto de 1888, que transferiu o distrito para o município de Cataguases. A Prefeitura conta que a mudança foi pedida pelos próprios moradores, numa representação assinada por 111 pessoas, com um argumento de geografia que hoje soa atual: estavam a apenas 23 quilômetros de Cataguases por estrada de ferro, com dois trens diários, e a 80 quilômetros da cidade do Pomba, numa viagem de três dias ida e volta. A ferrovia chegou de fato: a estação da Estrada de Ferro Leopoldina foi inaugurada em 1897, e o prédio da antiga estação é hoje bem inventariado pelo município. Seguiram-se a rede de água, a luz elétrica em 1904, o telefone em 1915, o primeiro grupo escolar em 1919 e a ponte de cimento armado sobre o Pomba em 1925. Em 1923 a Lei nº 843 criou no município de Cataguases um distrito chamado Astolfo Dutra, com sede no povoado de Dona Eusébia; em 17 de dezembro de 1938, o Decreto-Lei nº 148 elevou o Porto de Santo Antônio a município, desmembrado de Cataguases, com o nome de Astolfo Dutra, e fez do antigo distrito homônimo o distrito de Dona Eusébia. O município foi instalado em 1º de janeiro de 1939, e o seu primeiro prefeito, nomeado interventor, foi Olyntho Almada, que dá nome ao hospital da cidade. A Lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, redesenhou o território: criou os distritos de Santana do Campestre e Sobral Pinto, anexados a Astolfo Dutra, e emancipou Dona Eusébia, instalada como município em 1º de março de 1963. Desde a divisão territorial de 1979 o município tem os mesmos três distritos, e a API de Localidades do IBGE confirma hoje os três: Astolfo Dutra, Santana do Campestre e Sobral Pinto.