História
Fronteira nasceu de um projeto, não de uma capela. A página de história da Prefeitura registra a fundação em 18 de julho de 1943, por um jornalista e advogado paulista e uma equipe de colaboradores também de São Paulo, depois que a ponte Mendonça Lima, inaugurada naquele ano sobre o rio Grande, abriu o caminho entre os dois Estados. Criou-se uma companhia construtora só para erguer a cidade, e o nome — diz a mesma fonte — não homenageou a divisa, mas a ideia de recomeço que levantar um núcleo em plena mata representava para os fundadores. O projeto era turístico: as cachoeiras dos Patos, do Marimbondo, das Andorinhas, o Rebojinho e o Ferrador, e a pesca do rio Grande. Em 1945 o núcleo ganhou centro telefônico da Companhia de Telefones do Brasil Central, e cresceu como parte do município de Frutal. A emancipação veio na grande leva de 1962: a Lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro, traz no item 271 do seu quadro "Fronteira (x)", com o "x" da legenda que marca os municípios criados por ela, constituído só do distrito-sede; a instalação foi em 1º de março de 1963. A mesma lei fixa os limites do novo município em duas linhas apenas — com Frutal, pelo Ribeirão do Cisco, o Córrego do Pântano, a Lagoa Escura e o Córrego Olaria, e com o Estado de São Paulo, pela divisa interestadual no rio Grande —, o que diz, em linguagem de lei, que Fronteira é um pedaço de Frutal encostado em São Paulo. Depois veio a barragem. A usina hidrelétrica de Marimbondo, de Furnas, represou o rio e afogou as cachoeiras que tinham justificado a cidade, deixando em troca o lago, os condomínios de veraneio à margem dele e a Vila Residencial de Furnas, o bairro dos operários da obra que hoje abriga a Secretaria de Saúde, a de Assistência Social e a sala do fórum. O último capítulo é administrativo: a Lei municipal nº 1.161, de 7 de maio de 2004, criou o distrito de Santo Antônio do Rio Grande, e desde a divisão territorial de 2005 o município tem dois distritos. A comarca de papel é de 2001: a Lei Complementar nº 59 criou a Comarca de Fronteira no mesmo ato que reorganizou a divisão judiciária do estado, e vinte e cinco anos depois ela segue na lista das comarcas por instalar.