História
Lontra nasceu no caminho do gado. O texto histórico que a Prefeitura publica, e que o IBGE reproduz no verbete do município, liga a origem aos tropeiros e boiadeiros que passavam por trilhas improvisadas — as "Estradas de Boi" — rumo a Montes Claros e a Januária, as mesmas trilhas que o texto associa aos personagens de Grande Sertão: Veredas. À beira de uma lagoa onde vivia o bicho que deu nome ao lugar, os primeiros moradores ergueram uma capela, na atual Praça Januário Veloso, uma escola e um cemitério, e o povoado cresceu em terras doadas à Santa, patrimônio da igreja. A lei confirma o resto da trajetória. A Lei estadual nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, que redesenhou o mapa administrativo e judiciário de Minas para o quinquênio seguinte, registra Lontra como vila e distrito do município de São João da Ponte e descreve suas divisas com os distritos vizinhos de Santo Antônio da Boa Vista e de Bonança pelos córregos Palmital e das Tabocas. A Lei nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962 — a grande lei de emancipações daquele ano —, emancipou Varzelândia, mas deixou Lontra onde estava, como distrito de São João da Ponte. A autonomia veio trinta anos depois: a Lei nº 10.704, de 27 de abril de 1992, criou o município de Lontra com o distrito de Umbuzeiro e descreveu seus limites pelo ribeirão das Tabocas, pela serra do Bom Sucesso, pelo córrego do Ouro e pelo próprio córrego da Lontra. Em 2001, ao reorganizar a Justiça mineira, a Lei Complementar nº 59 projetou para Lontra uma comarca nova, a de Mirabela; ela nunca foi instalada, e Lontra continuou a ir ao fórum da cidade de que saiu. O distrito virou município, mas o caminho até o juiz é o mesmo de antes da emancipação.