História
A história de Capitão Enéas começa numa expedição que não era sua e termina, por enquanto, no fórum da cidade de onde ela saiu.
O verbete do IBGE e a página de história da Prefeitura contam a mesma origem: uma expedição organizada pelo capitão Antônio Gonçalves Figueira, que buscava abrir caminho de Montes Claros ao rio Gorutuba e aos currais da Bahia. A tropa alcançou a região da serra do Catuni, às margens de uma pequena lagoa, montou acampamento e ergueu uma cruz — o marco do futuro Brejo das Almas, que viria a ser Francisco Sá. Nas terras de Brejo das Almas desenvolveu-se o lugar que a documentação chama ora de Bururama, ora de Burarama. As duas grafias aparecem no próprio verbete do IBGE, uma no histórico e outra na formação administrativa.
A Prefeitura atribui à chegada da Estrada de Ferro Central do Brasil o impulso que levou o povoado à emancipação, e a ferrovia deixou marca no traçado urbano: a Praça da Estação, no entorno do complexo ferroviário, é hoje espaço de eventos culturais. A Lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, elevou o lugar a município com o nome de Burarama de Minas, desmembrado de Francisco Sá, com dois distritos: a sede e Caçarema, criado pela mesma lei. A instalação foi em 1º de março de 1963, conduzida pelo intendente Jacinto Teixeira Silva, segundo a Prefeitura, que publica a ata da solenidade. O nome durou menos de três anos: a Lei estadual nº 3.973, de 15 de dezembro de 1965, trocou Burarama de Minas por Capitão Enéas, em homenagem a Enéas Mineiro de Souza, primeiro prefeito eleito.
O terceiro distrito veio no começo deste século. O IBGE registra a criação do distrito de Santana da Serra em 20 de dezembro de 2001 e a sua anexação a Capitão Enéas, e desde a divisão territorial de 2003 o município tem três distritos — Capitão Enéas, Caçarema e Santana da Serra —, composição que se mantém no cadastro atual do IBGE.
A vida judiciária não acompanhou a emancipação. Francisco Sá já era comarca desde 23 de agosto de 1951, e o novo município simplesmente continuou nela. Quando a Lei Complementar estadual nº 59/2001 redesenhou o mapa judiciário de Minas, manteve o vínculo: o item 110 do Anexo II dá à Comarca de Francisco Sá dois municípios, o município-sede e "Capitão Enéias". Não houve comarca criada para Capitão Enéas, nem no papel. Sessenta e quatro anos depois de se separar de Francisco Sá, a cidade ainda atravessa 35 km para chegar ao juiz.