História
A história de Pedras de Maria da Cruz começa com uma mulher que o poder colonial tratou como rebelde. O verbete do IBGE conta a versão mansa: Maria da Cruz, descendente de família nobre, casada com um membro da família de Matias Cardoso, instalou-se no médio São Francisco e ganhou influência política entre os moradores; ali surgiu o povoado de Pedras de Baixo. A historiografia conta a outra metade. Em 1736, os moradores do sertão do São Francisco se levantaram contra a capitação, o imposto cobrado por cabeça de escravizado que a Coroa estendera às Minas, e o governo da capitania apontou Maria da Cruz entre as principais cabeças do motim, ao lado do filho, Pedro Cardoso. Segundo o estudo publicado por Alexandre Rodrigues de Souza na revista Varia Historia, ela foi presa em 1737 no Brejo do Salgado e conduzida para fora da capitania, primeiro ao Rio de Janeiro e depois a Salvador; recebeu perdão régio em 1739, voltou ao sertão, obteve sesmaria em 1745 e morreu em 1760, pedindo sepultura na capela de Nossa Senhora da Conceição das Pedras. O lugar ficou distrito de Januária por oitenta e um anos. A Lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, criou o distrito de Pedras de Maria da Cruz; o Decreto-Lei nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, deu-lhe terras tiradas de São Francisco; e a Lei nº 10.704, de 27 de abril de 1992 — a mesma que criou outros trinta e dois municípios mineiros —, emancipou-o com os distritos de Pedras de Maria da Cruz e São Pedro das Tabocas, desmembrados de Januária. A instalação veio em 1º de janeiro de 1993. A emancipação não mudou o fórum. Januária, instalada como comarca em 21 de abril de 1892, era sede judicial do território antes de o distrito existir e continuou a ser depois do município criado; a Comarca de Januária de hoje reúne justamente pedaços que o velho município perdeu — Itacarambi, Pedras de Maria da Cruz, Bonito de Minas e Cônego Marinho. O processo do pedrense continua atravessando o rio.