História
A história de Gouveia começa num pouso de estrada. A página de história da Prefeitura, que declara como fonte a monografia municipal do IBGE, conta que, quando se descobriram os veios de ouro do Tijuco, quem andava entre Diamantina, Conceição do Serro Frio e as localidades da região precisava de parada a meio caminho, e a encontrava na pensão de Maria de Gouveia, de origem portuguesa, num lugarejo chamado Arraial Velho, povoado por garimpeiros e lavradores. A área, diz a mesma página, estava dentro da Demarcação Diamantina fixada pela Coroa em 1731 — o território fechado em que a extração de diamantes era controlada pela metrópole. Maria de Gouveia, segundo o registro, quis levar o povo para as suas terras e usou um expediente famoso: de noite, mandava retirar da capela do arraial a imagem de Santo Antônio e a punha sobre uma grande pedra da fazenda; de manhã, espalhava que o santo tinha fugido. Repetido o gesto até o povo se convencer, ergueu-se a capela nova, e o Arraial de Santo Antônio de Gouveia nasceu onde hoje está a sede. A página a descreve como mulher de aptidão comercial e habilidade política, responsável direta pelo crescimento do povoado. A autonomia custou quase um século. A Lei Provincial nº 1.994, de 13 de novembro de 1873, elevou o distrito a vila, desmembrado de Diamantina; o registro do IBGE informa que o ato seguinte, de 14 de novembro, extinguiu a vila, e a Prefeitura atribui a falta de instalação a "caprichos políticos". Houve nova tentativa em 1923, negada, e outra em 1947, com o apoio do então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, também sem êxito. A emancipação só veio com a Lei Estadual nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, e o município foi instalado em 1º de janeiro de 1954. No Judiciário, a separação nunca aconteceu: Gouveia continua na Comarca de Diamantina, a mesma cidade de que se desmembrou.