História
A história institucional de Ferros começa numa frase de garimpeiro e termina numa comarca mais velha que a República. Os faiscadores do rio Santo Antônio deixavam as ferramentas na margem e voltavam a buscá-las dizendo "vamos aos ferros"; o arraial que nasceu ali, porém, foi batizado com nome de santa, Santana dos Ferros, pela devoção do português Pedro da Silva Chaves, que doou terras e construiu capela por volta de 1712. Distrito de Itabira pelo Decreto de 14 de setembro de 1832, a povoação se emancipou como vila pela Lei Provincial nº 3.195, de 23 de setembro de 1884, e virou cidade pela Lei Provincial nº 3.387, de 10 de julho de 1886. A comarca veio em 12 de maio de 1892, pela data que o Guia Judiciário publica — três anos depois da proclamação da República e trinta e um anos antes de o município perder o santo do nome, o que aconteceu pela Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923. O século XX foi de perdas territoriais: a mesma Lei 843 desmembrou Santo Antônio do Caratinga e Santana do Paraíso para formar Mesquita; o Decreto-lei estadual nº 148, de 1938, levou Joanésia também para Mesquita; e o Decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, tirou Itauninha para formar Santa Maria de Itabira. De nove distritos em 1911 sobraram os sete de hoje, fixados quando a Lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, criou Esmeraldas de Ferros. O fato de a comarca ter atravessado tudo isso sem interrupção é o que explica um paradoxo do presente: uma das menores populações entre as sedes de comarca mineiras, num dos maiores territórios, com fórum instalado há mais de cento e trinta anos.