História
A história de Guiricema começa com uma enchente. O verbete do IBGE conta que o furriel José Lucas Pereira dos Santos, português, se instalou por volta de 1806 no vale do Rio Bagres, atraído pela terra fértil, com a família e os escravos, e ergueu ali uma grande fazenda; outros moradores vieram depois, alguns a convite dele. Em 24 de novembro de 1825 morreu a mulher do furriel, Tereza Maria de Jesus. O rio estava cheio e não deixava levar o corpo até o distrito do Presídio — a atual Visconde do Rio Branco, onde havia igreja —, e ela foi enterrada na margem direita do Bagres, perto da sede da fazenda. No mesmo dia o viúvo decidiu construir uma capela para abrigar os restos da esposa e doou à santa grande parte das terras, que correspondem ao perímetro urbano de hoje. A licença veio em 16 de setembro de 1836, assinada pelo regente Diogo Antônio Feijó, com Nossa Senhora da Encarnação como padroeira, e a capela ficou pronta por volta de 1838. O povoado dos Bagres cresceu em volta dela e virou paróquia em 1856, pela lei provincial nº 758, como Nossa Senhora da Encarnação dos Bagres. O distrito veio pela lei provincial nº 1.899, de 1872, confirmada em 1891, e o nome tupi Guiricema — "grande quantidade de bagres" — pela resolução municipal nº 84, de 1895. Antes do furriel, o vale era dos Puris, que ali se refugiaram dos ataques de Croatos e Cropós. A emancipação veio com o Decreto-Lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, que separou de Visconde do Rio Branco os distritos de Guiricema e Tuiutinga; o de Vilas Boas nasceu depois, de parte do distrito-sede. O primeiro prefeito, o coronel Luiz Coutinho, tomou posse em 12 de fevereiro de 1939, data que a cidade celebra, e deu nome à praça onde ficam hoje a Prefeitura e a Câmara. O vínculo judiciário com a cidade-mãe nunca se desfez: pelo próprio verbete, Guiricema segue "subordinado à comarca de Visconde do Rio Branco".