História
Miraí começou como uma compra coletiva de terra. Em 1852, 53 pessoas adquiriram por duzentos mil réis parte da antiga Fazenda das Três Barras, destinando o terreno ao patrimônio de uma igreja a Santo Antônio, e o arraial que se formou às margens do rio Muriaé era chamado de Brejo. A capela ficou pronta em 1853; em 1859 o lugar foi elevado a distrito de paz com o nome de Santo Antônio do Muriaé, que a Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, confirmou; e em 1903, pela Lei municipal nº 168, adotou-se Miraí, que quer dizer terra molhada. A emancipação veio com a Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923 — a grande lei de divisão administrativa mineira daquele ano —, cujo item XXVI criou o município "de MIRAÍ, constituído dos distritos de Miraí, desmembrado do município de Cataguases, e Dores da Vitória, desmembrado do município de Muriaé", com as divisas descritas rio por rio: a linha com Cataguases sobe o Muriaé até a confluência do ribeirão Coronel e segue por espigões até o divisor entre as águas do Muriaé, que ficaram com Miraí, e as do Pomba, que ficaram com Cataguases. A instalação do município se deu em 27 de janeiro de 1924, e a sede ganhou foros de cidade pela Lei estadual nº 893, de 10 de setembro de 1925. Dez anos depois vinha a autonomia judiciária: o Decreto estadual nº 155, de 29 de julho de 1935, elevou Miraí a sede de comarca, e o Guia Judiciário do TJMG data a instalação em 5 de abril de 1936. O município nasceu, portanto, da divisão entre duas cidades maiores — e a comarca repetiu o gesto, retirando de Cataguases o território que hoje é o seu termo.