História
São Geraldo é uma cidade que a ferrovia fez e que o Presídio pariu. O território era dos Croatas, Cropós e Caetés, com aldeamentos às margens do rio Xopotó e do córrego dos Caetés, junto às encostas da serra que depois receberia o nome de Serra de São Geraldo — é assim que o verbete do IBGE abre a história. Por volta de 1807 chegaram os primeiros moradores de fora, portugueses e brasileiros, e a região viveu de fazendas por quase oitenta anos. O ponto de virada foi a Companhia Leopoldina: ao passar os trilhos, ela fixou uma estação em terreno doado por fazendeiros, comprou áreas vizinhas, loteou e reservou lugar para capela e cemitério. Em 1880, diz o verbete, o próprio D. Pedro II inaugurou a Estação de São Geraldo, batizada em homenagem a Antônio Carlos, Barão de São Geraldo. A capela ficou pronta em 1882, e o povoado virou distrito da freguesia do Presídio, o nome colonial de Visconde do Rio Branco; freguesia no ano seguinte, curato em 1884. Por mais de sessenta anos São Geraldo foi parte de Visconde do Rio Branco, até que o artigo 80 da Lei estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948, o elevou a município, instalado em 1º de janeiro de 1949. A emancipação administrativa não levou a Justiça junto: o município continua na comarca da cidade de onde saiu, e é ao fórum de Visconde do Rio Branco que o são-geraldense vai até hoje. A Prefeitura registra outro corte da história, o econômico: a erradicação dos cafezais, a falência da usina de açúcar de Visconde do Rio Branco e a suspensão do tráfego da estrada de ferro desequilibraram a economia local — a mesma ferrovia que tinha criado a cidade deixou de passar por ela.