Cidade de MG

Mutum

Mutum tem 27.635 habitantes (Censo 2022) em 1.250 km² no leste de Minas, na faixa que encosta no Espírito Santo, a 384 km de Belo Horizonte. A comarca do TJMG, instalada em 24 de outubro de 1936, é de primeira entrância e tem uma Vara Única no Fórum Doutor João Martins de Oliveira, com competência plena — cível, criminal, infância, execução penal e Tribunal do Júri no mesmo juízo. A jurisdição é de um município só: o Anexo II da LC 59/2001 não agrega nenhum outro a Mutum. Não há unidade prisional na cidade, e por isso a execução penal de quem está preso corre na comarca onde a unidade fica (Portaria Conjunta nº 344/2014, artigo 1º); a de quem está solto corre aqui. O juiz das garantias é o da Vara Única de Lajinha, em par recíproco (PC 1.818/PR/2026), e não alcança os crimes dolosos contra a vida. Justiça Federal em Manhuaçu; Justiça do Trabalho em Governador Valadares.

UF
MG
Porte
pequena
População
27.635 hab.

Para questões judiciais em Mutum (MG), o juízo competente é da Comarca de Mutum — é lá que correm os processos criminais e cíveis da cidade. Esta página reúne a comarca, os órgãos e contatos oficiais do município, os telefones de emergência e a custódia prisional da região. Advogado pode atuar em qualquer comarca do país (art. 7º, I, da Lei 8.906/94) — o atendimento do escritório é remoto e presencial.

Pessoa presa e a família sem informação? Veja como localizar uma pessoa presa em Minas Gerais — o passo a passo com os canais oficiais do estado.

Crimes dolosos contra a vida

Tribunal do Júri em Mutum/MG

Homicídio, feminicídio, infanticídio, aborto e induzimento ao suicídio — os crimes dolosos contra a vida, consumados ou tentados — não são julgados por um juiz, e sim pelo Tribunal do Júri (art. 5º, XXXVIII, da Constituição). Para um fato ocorrido em Mutum/MG, o julgamento é no Júri da Comarca de Mutum: a competência é do lugar do crime (art. 70 do CPP), salvo desaforamento (art. 427 do CPP). Como o Júri está organizado nesta comarca — vara que o preside, fórum, jurisdição — está descrito mais abaixo, em Órgãos e instituições e no Panorama jurídico desta página.

No Júri, quem decide são sete jurados sorteados entre moradores da comarca, que votam em sigilo e sem justificar o voto (arts. 406 a 497 do CPP). O rito tem duas fases: a instrução preliminar, que termina em pronúncia, impronúncia, absolvição sumária ou desclassificação, e o plenário, em que a prova é debatida diante dos jurados e a defesa fala por último. Por isso a defesa em plenário é ofício próprio: quesitação, prova oral, tese e réplica se decidem na sessão, e o que não chega ao plenário não conta. A Constituição assegura ao acusado a plenitude de defesa — mais do que a ampla defesa dos demais processos — e é o advogado quem a exerce.

Felipe Smargiassi (OAB/MG 155.242) atua em plenário do Júri em Minas Gerais — a partir de Guaxupé, no Sul de Minas, em qualquer comarca do estado. Minas tem uma tradição própria de plenário, a chamada escola mineira do Júri; é nessa tradição que o escritório trabalha.

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Atendimento SMARGIASSI

SMARGIASSI Advogado — OAB/MG 155.242 · Criminalista com atuação em Tribunal do Júri e execução penal. Atuação em Direito Criminal (Tribunal do Júri), Família, Cível, Consumidor, Imobiliário e Empresarial, com escritório em Guaxupé/MG e atendimento nacional.

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Particularidades

História

Mutum nasceu duas vezes, e uma delas em outro estado. A região era território litigioso entre Minas Gerais e Espírito Santo quando o povoado de São Manuel do Mutum foi elevado a distrito por Minas, pela lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, subordinado ao município de Rio José Pedro, o atual Ipanema. No ano seguinte, o Espírito Santo, que considerava a mesma terra sua, elevou-a a vila com nome inteiramente diverso — Marechal Hermes, pela lei capixaba nº 824, de 10 de abril de 1912, desmembrada de Rio Pardo, o atual Iúna —, e a instalou em 19 de junho de 1912. Por dois anos, portanto, o mesmo lugar foi distrito de um estado e sede de município do outro. Quem resolveu foi o laudo arbitral de 30 de novembro de 1914, ratificado pelo decreto estadual nº 4.304, de 19 de janeiro de 1915, e retificado pela lei estadual nº 673, de 5 de setembro de 1916: São Manuel do Mutum passou a Minas Gerais. Cidade em 10 de novembro de 1925, pela lei estadual nº 893. Comarca em 24 de outubro de 1936, pelo registro do Guia Judiciário do TJMG — e note-se a ordem, porque não é a comum: aqui a cidade veio antes da comarca, com onze anos de intervalo. Em 1938 o decreto-lei estadual nº 148 apagou o São Manuel do nome do município e mudou São Francisco do Humaitá para Humaitá, que em 1943 virou Alto Guandu e em 1960 voltou ao nome de santo. Os primeiros povoadores vieram de Rio Pardo, da Zona da Mata mineira e do norte fluminense, atraídos por terra fértil e barata — e, diz o verbete do IBGE, também pelo próprio litígio entre os dois estados.

Economia

Mutum é café, e quase só café. A Produção Agrícola Municipal de 2023 dá ao município R$ 109,968 milhões em valor de lavoura, dos quais R$ 100,680 milhões são de café em grão — R$ 94,736 milhões de arábica e R$ 5,944 milhões de canephora, o conilon que sobe do Espírito Santo pela mesma faixa de altitude. Sobram R$ 2,548 milhões de milho e R$ 2,100 milhões de tomate: o café responde por mais de nove décimos do valor agrícola. Ao lado dele há pecuária de porte real, e não de quintal: 70.229 cabeças de bovinos em 2023, duas cabeças e meia por habitante, e R$ 89,152 milhões em produtos de origem animal. O PIB municipal de 2023 foi de R$ 662,869 milhões. Para a advocacia, o desenho é legível: parceria agrícola e arrendamento de lavoura de café, contrato de safra e de compra futura, trabalho rural na colheita — a sazonalidade do café concentra contratação e conflito em poucos meses —, acidente com implemento agrícola, servidão e demarcação de fazenda em município de mil duzentos e cinquenta quilômetros quadrados, e inventário de propriedade rural. Onde há lavoura de café com mão de obra temporária há também a discussão penal que costuma acompanhá-la, das condições de trabalho ao furto de saca e à ocupação de terra.

Panorama jurídico

Uma vara para tudo é o fato jurídico central de Mutum, e ele tem duas faces. A face boa é a simplicidade: não há dúvida de distribuição, não há acervo dividido entre juízos, não há discussão sobre qual vara preside o Júri — a Vara Única do Fórum Doutor João Martins de Oliveira faz cível, criminal, infância, família, fazenda, execução penal e Tribunal do Júri, e a lei impede que Júri e execução desçam para distrito judiciário (LC 59/2001, artigo 3º, § 1º). A face difícil é que o mapa penal de Mutum se resolve fora dela em dois momentos decisivos. O primeiro é a investigação: desde 25 de agosto de 2025 quem decide prisão, cautelar, quebra de sigilo e audiência de custódia do inquérito mutuense é o juiz da Vara Única de Lajinha, par recíproco de Mutum na tabela da Portaria Conjunta nº 1.818/PR/2026 — com a exceção que mais importa a uma banca de Júri: crime doloso contra a vida está fora do rodízio (Resolução nº 1.109/2025, artigo 3º), e portanto o inquérito de homicídio de Mutum não sai daqui. O segundo é a execução da pena: sem unidade prisional no município, o condenado preso vai cumprir fora, e com ele viaja o processo, porque a Portaria Conjunta nº 344/2014 fixa a competência no juízo da comarca onde o condenado estiver recolhido e manda declinar a cada transferência. O que fica em Mutum é a execução de quem está solto — regime aberto, restritiva de direitos, sursis, livramento —, que é a maior parte dos casos e a menos noticiada. A banca atua na comarca em defesa criminal, Tribunal do Júri e execução penal, nos limites éticos da advocacia e sem promessa de resultado.

Patrimônio

O patrimônio de Mutum está nos nomes e nas datas que sobraram do litígio. A cidade já se chamou São Manuel do Mutum e, por dois anos e para o Espírito Santo, Marechal Hermes. Os distritos guardam a mesma camada geológica de nomes: Roseiral era Bom Jardim, Ocidente era São Sebastião do Ocidente, e São Francisco do Humaitá foi Humaitá em 1938 e Alto Guandu em 1943 antes de recuperar o santo em 1960 — a serventia notarial do distrito ainda se chama, no Guia Judiciário, Registro Civil com Atribuição Notarial de Humaitá, com a grafia intermediária fossilizada no nome do cartório. Imbiruçu é o mais novo, criado por lei municipal de 30 de setembro de 1991. E há um marco que o calendário do próprio TJMG preserva: entre os feriados municipais que o Guia publica para a comarca está 17 de junho, a mesma data em que, segundo o verbete do IBGE, a expedição de 1864 chegou ao lugar consagrado a São Manuel e batizou o rio e o afluente.

Curiosidades

Quatro coisas que enganam quem procura Mutum pelos portais oficiais. A primeira: quatro instituições respondem quatro cidades diferentes para o mesmo município — TJMG diz Mutum (comarca própria), TRF6 diz Manhuaçu, TRT-3 diz Governador Valadares e o IBGE diz que a região intermediária é Juiz de Fora, a mais de quatrocentos quilômetros. A segunda: a ordem oficial de substituição da comarca vaga não é a ordem da distância — o Guia lista Ipanema (44 km), Lajinha (47 km), Caratinga (125 km), Manhuaçu (103 km) e Manhumirim (100 km) nessa sequência, com a terceira mais longe que a quarta e a quinta. A terceira: as duas direções do mesmo trajeto Mutum–Lajinha aparecem com quilometragens diferentes na mesma tabela do Guia, 47 km numa linha e 48 km na outra. A quarta: o IBGE reconhece sete distritos em Mutum, incluindo Santa Rita do Mutum, e a consulta de municípios e distritos do Guia Judiciário lista seis, sem Santa Rita — as duas fontes oficiais não contam a mesma divisão interna do município, e esta ficha registra as duas sem escolher.

Educação e cidadania

Mapa prático de quem precisa da Justiça em Mutum. Processo estadual de qualquer matéria, Júri, medida protetiva e execução de pena de quem está solto: Vara Única, Fórum Doutor João Martins de Oliveira, Rua Dom Cavati, 333, Centro, CEP 36955-000, telefones (33) 3312-3450 e 3312-3451, secretaria em mtm1secretaria@tjmg.jus.br. Conciliação e acordo antes do processo: CEJUSC da comarca, cejusc.mtm@tjmg.jus.br. Custas e cálculo: mtmcontadoria@tjmg.jus.br. Reclamação trabalhista: Foro Trabalhista de Governador Valadares, atermacao.valadares@trt3.jus.br, (33) 3212-9404. Benefício previdenciário e crime federal: Subseção Judiciária de Manhuaçu. Certidão de nascimento, casamento e óbito, inclusive dos distritos: os cartórios da sede, na Rua Bueno Brandão, 75, e na Rua Getúlio Vargas, 163, loja 3. Câmara Municipal: Rua Dom Cavati, 391, (33) 3312-1212, falecom@camaramutum.mg.gov.br. Inquérito policial e audiência de custódia: decididos pelo juízo da Vara Única de Lajinha, salvo crime doloso contra a vida. Quatro advertências honestas. Esta ficha não publica Ministério Público, subseção da OAB, zona eleitoral nem delegacia de Polícia Civil de Mutum, porque as fontes oficiais desses órgãos não entregaram o dado em consulta direta em 19 de setembro de 2026 — e ausência aqui não é ausência do serviço. Não publica endereço da Prefeitura porque o portal municipal, que responde no ar, não expõe endereço nem telefone em texto legível. Não publica a unidade prisional de destino do preso da comarca porque nenhum ato oficial a fixa. E este site é de advocacia particular: não é canal oficial de tribunal, presídio, prefeitura ou secretaria.

Segurança e fronteira

Para a família de quem foi preso em Mutum, a informação útil é dura e simples: o processo vai embora. Não há unidade prisional no município — a relação do Depen-MG/Sejusp, lida em snapshot de janeiro de 2026 porque o portal está suspenso pela vedação eleitoral, não registra nada em Mutum, nem em Ipanema, nem em Lajinha. As unidades da região que constam dela são os presídios de Manhuaçu, Manhumirim, Caratinga e Abre Campo, todas na 12ª Região Integrada de Segurança Pública. Como em Minas a execução penal segue o corpo do preso (Portaria Conjunta nº 344/2014, artigo 1º), progressão, remição, livramento e falta grave passam a ser decididos pelo juiz da comarca onde a unidade fica, e mudam outra vez em cada transferência, sem aviso a quem espera em casa. Duas consequências práticas. A primeira: perguntar no Fórum de Mutum onde está o processo de execução costuma não dar resposta, porque o juízo é outro — o rastro é a guia de recolhimento e o SEEU. A segunda: a qual unidade o preso de Mutum é levado não está fixado em ato nenhum que esta ficha tenha encontrado, e por isso não se afirma aqui. Esta ficha também não publica e-mail nem capacidade de unidade prisional: a relação oficial não os fornece.

Dados do município

Gentílico
mutuense
Mesorregião
Vale do Rio Doce
Microrregião
Aimorés
Região intermediária (IBGE)
Juiz de Fora
Área (km²)
1250.824
População (Censo 2022)
27.635
Densidade demográfica (hab/km²)
22.09

Fonte: IBGE (Cidades e Estados).

Impostos e dívidas com o Estado de Minas Gerais

IPVA atrasado, ITCD de herança ou doação, ICMS, taxas, dívida ativa na AGE-MG e protesto de CDA valem para Mutum como para qualquer cidade mineira — os guias mostram o caminho oficial e quando cabe defesa.

Órgãos e instituições — Mutum/MG

Justiça Estadual — Comarca

Nome
Comarca de Mutum
Tribunal
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG)
Entrância
primeira entrância
Instalação
O Guia Judiciário do TJMG registra a instalação da comarca em 24 de outubro de 1936 — onze anos depois de a povoação ter virado cidade e vinte e dois depois de o laudo arbitral tirar o município do Espírito Santo e passá-lo a Minas. Comarca instalada e em funcionamento, sob o código 0440: não é caso de comarca criada em lei e por instalar, e o Guia responde por ela sem a advertência de "não é uma Comarca" que devolve para as localidades que ainda esperam instalação.
Classificação
Primeira entrância. O critério do artigo 8º da Lei Complementar estadual nº 59/2001 é aritmético: comarca com uma só vara instalada é de primeira entrância; cinco ou mais varas somadas a 130 mil habitantes é especial; o resto é segunda. Mutum tem uma vara, e o Guia Judiciário escreve "Entrancia: Primeira". O Anexo I da LC 59/2001, no item I.2.III — Primeira Entrância, Primeira Parte, traz Mutum no número 111, com um cargo de Juiz de Direito (JPE-111). A ressalva vale a pena: o Anexo I conta cargos previstos, não varas instaladas, e em Minas já houve comarca com dois cargos no Anexo e uma vara no fórum — aqui os dois números coincidem.
Estrutura
Uma Vara Única no Fórum Doutor João Martins de Oliveira, com secretaria no e-mail mtm1secretaria@tjmg.jus.br. Vara única significa competência plena: cível, criminal, infância e juventude, família, fazenda pública, execução penal e Tribunal do Júri no mesmo juízo e na mesma secretaria. No prédio funcionam ainda a Administração do Fórum com a Direção do Foro, a Distribuição de Feitos, a Contadoria/Tesouraria (mtmcontadoria@tjmg.jus.br), a Central de Conciliação e o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (cejusc.mtm@tjmg.jus.br). O Guia não registra Juizado Especial autônomo na comarca e a inclui no Grupo Jurisdicional JESP de Governador Valadares. No PJe, a Vara Única recebeu as classes cíveis e dos Juizados Especiais Cíveis em 25 de fevereiro de 2019 (Aviso Conjunto nº 4/CGJ/2018) e as da Infância e Juventude em 15 de maio de 2020 (Aviso Conjunto nº 30/CGJ/2020); a página de implantações nada diz sobre os feitos criminais, e esta ficha não afirma em que sistema eles correm.
Endereço
Fórum Doutor João Martins de Oliveira — Rua Dom Cavati, 333, Centro, Mutum - MG, CEP 36955-000
Telefone
Jurisdição
A comarca é de um município só. O item 201 do Anexo II da LC 59/2001 lista, sob Mutum, apenas Mutum — sem município agregado —, e a consulta de municípios e distritos do Guia Judiciário devolve a mesma coisa, acrescendo os distritos de Centenário (19 km da sede), Imbiruçu (49 km), Ocidente (31 km), Roseiral (18 km) e São Francisco do Humaitá (34 km). É uma jurisdição incomum no interior mineiro: pequena em municípios e larga em território, porque o que a comarca alcança são os 1.250 km² e os distritos de um só município, alguns a quase cinquenta quilômetros do fórum. Se a comarca vagar, o Guia publica a ordem oficial de substituição: Ipanema (44 km), Lajinha (47 km), Caratinga (125 km), Manhuaçu (103 km) e Manhumirim (100 km) — ordem que, como se vê, não é a da distância.
Juizado especial
O Guia Judiciário não devolve Juizado Especial instalado em Mutum e põe a comarca no Grupo Jurisdicional JESP de Governador Valadares. Como a implantação do PJe abrangeu "todas as classes processuais de natureza cível que tramitam na Justiça comum e no Sistema dos Juizados Especiais Cíveis", as causas de pequeno valor tramitam na própria Vara Única; a ficha reproduz o registro e não infere competência que ato nenhum fixou.
Tribunal juri
O Júri é daqui e não se desloca. O artigo 9º, § 3º, da LC 59/2001 põe em cada comarca um Tribunal do Júri, e o artigo 3º, § 1º, ao dar competência plena aos distritos judiciários, exclui expressamente o Júri e as execuções penais — as duas coisas que nunca descem abaixo do nível da comarca. Em Mutum, que tem vara única, isso tem uma consequência direta e sem rodeio: quem preside a instrução, pronuncia e leva a plenário o homicídio ocorrido em Imbiruçu, em Roseiral, em Ocidente ou na sede é o juiz da Vara Única, no Fórum Doutor João Martins de Oliveira. Não há vara criminal especializada, não há divisão de acervo entre varas e não há regionalização: nenhum ato do TJMG regionaliza o Júri em Minas.
Execução penal
Minas não centraliza execução penal, e é essa a resposta que a família procura. O artigo 1º da Portaria Conjunta nº 344/2014 do TJMG manda a guia de recolhimento, provisória ou definitiva, ao juízo de execução da comarca onde o condenado estiver recolhido; o parágrafo único manda a guia do condenado solto ao juízo da comarca do seu endereço residencial. Em Mutum não há unidade prisional na relação do Depen-MG/Sejusp, e disso decorrem duas situações opostas. Quem foi condenado aqui e está preso cumpre a pena fora, e a execução é do juízo da comarca onde a unidade fica — não de Mutum: progressão, remição, livramento condicional, falta grave e unificação de penas passam a ser decididos lá, e o juízo muda outra vez a cada transferência, porque o artigo 3º da mesma portaria obriga o juízo a declinar da competência e remeter os autos "imediata e diretamente", ressalvados os incidentes já instruídos, com prazo de trinta dias para a remessa (artigo 4º). Quem está solto é o inverso: regime aberto, penas restritivas de direitos, sursis e livramento condicional de quem mora em Mutum correm na Vara Única daqui, ainda que a condenação tenha vindo de comarca distante. Provisório e definitivo tramitam no mesmo juízo, e a guia provisória sai logo após a sentença ou o acórdão, sem esperar o trânsito em julgado (artigo 2º). A tramitação é pelo SEEU, o sistema de execução unificado do CNJ.
Juiz das garantias
No interior de Minas o juiz das garantias não é uma vara nem um cargo novo: é rodízio entre juízes de comarcas diferentes, em vigor desde 25 de agosto de 2025 pela Resolução do Órgão Especial nº 1.109/2025, alterada pela Resolução nº 1.155/2026. A tabela vigente é o Anexo Único da Portaria Conjunta nº 1.818/PR/2026, que deu nova redação ao Anexo I da Portaria Conjunta nº 1.709/PR/2025, e nela Mutum aparece na 3ª Região com o desenho mais simples dos quatro que existem em Minas: par recíproco. As duas linhas foram lidas, porque uma não prova a outra — o juiz da Vara Única de Mutum é o juiz das garantias da Vara Única de Lajinha, e o juiz da Vara Única de Lajinha é o juiz das garantias da Vara Única de Mutum, ambas de primeira entrância. Na prática: prisão em flagrante, audiência de custódia, cautelares, quebra de sigilo, produção antecipada de prova, homologação de acordo de não persecução penal e arquivamento do inquérito de Mutum são decididos pelo juiz de Lajinha, a 47 km — mas a secretaria que processa continua sendo a da Vara Única de Mutum (artigo 7º, § 1º, da Resolução), e oferecida a denúncia o feito volta ao juízo de Mutum para instruir e julgar. Há duas exclusões que mudam tudo para quem procura esta página. A primeira é o artigo 3º da Resolução nº 1.109/2025, que tira do juiz das garantias os crimes dolosos contra a vida, a violência doméstica e as infrações de menor potencial ofensivo: o inquérito de homicídio de Mutum não vai a Lajinha — fica com o juízo do Júri da própria comarca, que é a Vara Única. A segunda é o marco temporal: a Portaria Conjunta nº 1.709/2025, artigo 3º, não alcança ação penal cuja denúncia tenha sido recebida até 24 de agosto de 2025, e a Resolução nº 1.155/2026 manteve no juízo original os inquéritos e feitos criminais distribuídos antes da implantação, sem que ato decisório anterior gere impedimento ou suspeição. Para impedimento justificado do plantonista, o Anexo II da PC nº 1.709/2025 põe Mutum na Microrregião X, com Lajinha, Manhuaçu e Manhumirim, que se substitui reciprocamente com a Microrregião IX (Carangola, Divino, Espera Feliz, Miradouro e Tombos).

Serviços federais na fronteira

Justica federal
Subseção Judiciária de Manhuaçu (SJMG/TRF6) — não há vara federal em Mutum.
Justica trabalho
Foro Trabalhista de Governador Valadares (TRT-3) — atermacao.valadares@trt3.jus.br, (33) 3212-9404.
INSS
Atendimento por agendamento pelo telefone 135 ou pelo Meu INSS.

Estabelecimentos penais

Panorama
Não há unidade prisional em Mutum. A relação do Depen-MG/Sejusp, organizada por Região Integrada de Segurança Pública, não traz nenhuma unidade no município — nem em Ipanema ou Lajinha, as duas comarcas mais próximas. As unidades da região que constam da relação estão na 12ª RISP: Presídio de Manhuaçu (PRMÇU), na Avenida Melo Viana, 222, Bairro Bom Pastor; Presídio de Manhumirim (PRMMR), na Rua Teófilo Tostes, 143, Centro; Presídio de Caratinga (PRCRT), na BR-116, Córrego dos Bias, zona rural; e Presídio de Abre Campo (PRACP). O efeito jurídico está no bloco da comarca e é o que interessa à família: como a competência da execução é do juízo da comarca onde o preso está (Portaria Conjunta nº 344/2014, artigo 1º), o condenado de Mutum que fica preso executa a pena fora, sob juiz de outra comarca, e o juízo muda de novo a cada transferência, sem que ninguém comunique a família. O caminho de saber onde o processo está é a guia de recolhimento e o SEEU.
Ressalva
A relação foi lida em snapshot de 22 de janeiro de 2026 do Arquivo da Internet, com conteúdo datado de 26 de março de 2025, porque o portal depen.seguranca.mg.gov.br está indisponível durante o período de vedações eleitorais de 2026. Ela não publica capacidade nem regime das unidades, e os e-mails estão protegidos por script — não foram lidos nem reproduzidos. A qual RISP pertence o município de Mutum é dado NAO_CONFERIDO: a página organiza unidades, não municípios, e Mutum não tem unidade.

Defensoria Pública Estadual

Nome
Defensoria Pública de Minas Gerais
Contexto
A relação de unidades da Defensoria Pública de Minas Gerais não traz unidade em Mutum, e as duas unidades da região que foram abertas e lidas não listam o município entre os "municípios contemplados": a de Manhuaçu contempla Luisburgo, Manhuaçu, Reduto, Santana do Manhuaçu, São João do Manhuaçu e Simonésia; a de Caratinga contempla Bom Jesus do Galho, Caratinga, Córrego Novo, Entre Folhas, Imbé de Minas, Piedade de Caratinga, Pingo d'Água, Santa Bárbara do Leste, Santa Rita de Minas, Ubaporanga e Vargem Alegre. Ambas atuam nas áreas criminal e de execução penal, entre outras.
Ressalva
A página de unidade com o slug de Mutum devolve HTTP 404, e 404 não significa que a instituição não atenda o município — significa apenas que não há página de unidade. Por qual núcleo o mutuense é atendido é dado NAO_CONFERIDO nesta leitura, e a ficha não o inventa.

Justiça Federal

Subseção
Subseção Judiciária de Manhuaçu — Seção Judiciária de Minas Gerais (SJMG), Tribunal Regional Federal da 6ª Região
Jurisdição
Mutum não é sede de subseção federal e não segue a geografia do IBGE nesse ponto: a tabela de jurisdições da SJMG põe o município sob a Subseção de Manhuaçu, ao lado de Abre Campo, Alto Caparaó, Caratinga, Ipanema, Lajinha, Manhumirim, Matipó, Pocrane, Santa Margarida e outras. FGTS, tributo federal, crime de competência da União e ação contra autarquia federal do mutuense correm em Manhuaçu, a pouco mais de cem quilômetros — não em Governador Valadares nem em Juiz de Fora, embora a região intermediária do IBGE seja a juizforana. O benefício previdenciário é a exceção, e a mais importante desta página: ver competência delegada.
Competência delegada
Aqui está o dado que muda a vida de quem litiga com o INSS e não tem dinheiro para a viagem: a Comarca de Mutum CONSERVA a competência federal delegada. O Anexo III da Resolução Conjunta PRESI/COGER nº 3/2026 do TRF6, na redação dada pela Portaria Presi nº 170, de 19 de agosto de 2026, tem duas colunas por subseção — e, na linha da Subseção de Manhuaçu, a coluna das comarcas que conservam a delegação traz dois nomes apenas, Ipanema e Mutum, enquanto a das que deixaram de possuí-la traz Caratinga, Carangola, Manhuaçu, Abre Campo, Divino, Espera Feliz, Lajinha e Manhumirim. Na prática: aposentadoria, auxílio por incapacidade, benefício de prestação continuada e salário-maternidade contra o INSS de quem mora na comarca se ajuízam na Vara Única daqui, no Fórum Doutor João Martins de Oliveira, perante o juiz estadual investido de competência federal delegada, com recurso para o TRF da 6ª Região — sem os pouco mais de cem quilômetros até Manhuaçu. E a jurisdição delegada segue a comarca e os municípios que a integram. A comparação com a vizinhança mostra o tamanho da diferença: Lajinha, que é o juiz das garantias de Mutum, está na outra coluna e manda o seu segurado para a Justiça Federal. O critério é o do artigo 15, inciso III, e § 2º, da Lei federal nº 5.010/1966, na redação da Lei nº 13.876/2019, regulamentado pelas Resoluções CJF nº 603/2019 e nº 705/2021 — deslocamento real de até 70 quilômetros entre a sede da comarca e a da vara federal mais próxima. A delegação só cessa no dia em que se instalar Unidade Avançada de Atendimento (UAA) do TRF6 na sede da comarca, e o acervo já formado permanece onde está.
Ressalva
Defeito de redação do próprio Anexo III, registrado e não harmonizado: Carangola aparece na coluna das comarcas que deixaram de possuir competência federal delegada em DUAS subseções ao mesmo tempo, Manhuaçu e Muriaé. A duplicidade não toca a linha de Mutum.
Observação competência
Na tabela da SJMG o asterisco marca os municípios cobertos pelos Oficiais de Justiça da subseção, e ele varia dentro de uma mesma região. Mutum está sem asterisco; Manhuaçu, Manhumirim, Luisburgo, Martim Soares, Reduto, Santana do Manhuaçu, São João do Manhuaçu e Simonésia têm. Onde o Oficial federal não vai, citação e intimação seguem pelos Correios, com aviso de recebimento, ou por carta precatória à comarca estadual — ou seja, ao Fórum Doutor João Martins de Oliveira.
Histórico
Minas Gerais deixou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região com a criação do TRF da 6ª Região pela Lei federal nº 14.226/2021.

Justiça do Trabalho

Nome
Foro Trabalhista de Governador Valadares
Tribunal
Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3)
E-mail
Telefone
Abrangência
Mutum integra a relação de municípios abrangidos pelo Foro de Governador Valadares, ao lado de Aimorés, Alpercata, Capitão Andrade, Conselheiro Pena, Coroaci, Cuparaque, Engenheiro Caldas, Governador Valadares, Itanhomi, Itueta, Mantena, Pocrane, Resplendor, Santa Rita do Itueto, Tumiritinga e outros.
Contexto
Aqui está a divergência mais contraintuitiva do mapa de Mutum, e ela custa viagem a quem erra. O TRT-3 não segue a comarca nem a subseção federal: a reclamação trabalhista do mutuense é ajuizada no Foro Trabalhista de Governador Valadares, e não em Manhuaçu, onde fica a Justiça Federal, nem em Caratinga. A relação de atermação virtual do próprio tribunal é a fonte que fecha a questão, município a município — e Pocrane, vizinha de Mutum, está na mesma lista, enquanto Manhuaçu e Manhumirim, mais perto, estão em outra.

Segurança Pública

Panorama
Município de 1.250 km² com sede pequena e seis distritos, alguns a quase cinquenta quilômetros do fórum, e 384 km de estrada até a capital. O quadro criminal que uma comarca assim apresenta é o do interior rural de Minas — e a particularidade de Mutum é institucional, não estatística: tudo passa por uma única vara. O mesmo juiz que decide a guarda de um filho decide a prisão preventiva, preside o Júri e conduz a execução da pena de quem cumpre em regime aberto. Isso encurta o caminho de quem procura o fórum e alonga o de quem tem parente preso, porque o processo de execução está sempre em outra cidade.
Atendimento mulher
A Central de Atendimento à Mulher, o 180, funciona 24 horas. Os feitos de violência doméstica correm na Vara Única da comarca e ficam fora do juiz das garantias por força do artigo 3º da Resolução do Órgão Especial nº 1.109/2025 — ou seja, medida protetiva de urgência de Mutum é decidida pelo juízo daqui, e não pelo de Lajinha.

Câmara Municipal

Nome
Câmara Municipal de Mutum
Endereço
Rua Dom Cavati, 391, Mutum - MG, CEP 36955-000
Telefone
E-mail
Site
camaramutum.mg.gov.br
Contexto
A Câmara fica na mesma rua do fórum, quase em frente: Rua Dom Cavati, 391, contra o 333 do Fórum Doutor João Martins de Oliveira. O domínio é camaramutum.mg.gov.br, não o padrão .leg.br — detalhe que faz quem procura pelo endereço presumido não achar.

Cartórios

Estrutura
Duas serventias na sede e cinco nos distritos, pela consulta de serviços notariais e de registro do Guia Judiciário. Na sede: Tabelionato de Notas e Protesto de Títulos e Registro Civil das Pessoas Naturais de Mutum (Rua Bueno Brandão, 75, Centro, telefone (33) 98416-0734) e Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil das Pessoas Jurídicas de Mutum (Rua Olegário Maciel, 275, Centro, telefone (33) 99916-1806). Nos distritos, os Registros Civis com Atribuição Notarial de Centenário, Humaitá, Imbiruçu, Ocidente e Roseiral aparecem todos no mesmo endereço e com o mesmo telefone — Rua Getúlio Vargas, 163, loja 3, Centro, (33) 3312-1411 e 99975-5376 —, isto é, as cinco delegações distritais atendem de um único balcão na sede da cidade. Vale saber antes de viajar: quem precisa de certidão de nascimento, casamento ou óbito lavrada num distrito não encontra o livro no distrito.
Ressalva
O Guia nomeia a serventia distrital de "Humaitá", denominação que o decreto-lei estadual nº 148/1938 deu ao distrito e que o IBGE já reverteu para São Francisco do Humaitá — o nome do cartório guarda a grafia intermediária. Os dois cartórios da sede figuram com telefone celular, sem número fixo.

Emergências

Pm
190
Samu
192
Bombeiros
193
Policia civil
197
Defesa civil
199
Central mulher
180
Disque denuncia
181

Singularidades institucionais

Dois anos como município de outro estado, com outro nome

Entre 1912 e 1914 o mesmo lugar foi distrito de Minas Gerais (São Manuel do Mutum, lei mineira 556/1911) e sede do município capixaba de Marechal Hermes (lei do Espírito Santo 824/1912), instalado em 19 de junho de 1912. O laudo arbitral de 30 de novembro de 1914 o deu a Minas. Poucos municípios brasileiros têm duas criações simultâneas e concorrentes, feitas por dois estados, com nomes diferentes.

Comarca de um município só, com território de comarca grande

O Anexo II da LC 59/2001, item 201, lista sob a comarca de Mutum apenas Mutum — nenhum município agregado. Mas o município tem 1.250 km² e seis distritos, um deles a 49 km da sede. A comarca é pequena em municípios e larga em chão, o inverso do padrão mineiro de comarca de primeira entrância com dois ou três municípios pequenos.

Cinco cartórios de distrito num único balcão na sede

Os Registros Civis com Atribuição Notarial de Centenário, Humaitá, Imbiruçu, Ocidente e Roseiral figuram no Guia Judiciário com o mesmo endereço e o mesmo telefone, na Rua Getúlio Vargas, 163, loja 3, no Centro de Mutum. As cinco delegações distritais atendem de um só ponto — quem procura o livro do distrito no distrito não o encontra.

Quatro instituições, quatro cidades de referência

TJMG (comarca própria), TRF6 (Subseção de Manhuaçu), TRT-3 (Foro de Governador Valadares) e IBGE (região imediata Manhuaçu, intermediária Juiz de Fora) dão respostas diferentes para o mesmo município. Nenhuma se deduz das outras, e o erro mais caro é presumir que a Justiça do Trabalho segue a comarca.

O IBGE conta sete distritos e o TJMG, seis

A API de Localidades do IBGE reconhece Mutum, Centenário, Imbiruçu, Ocidente, Roseiral, São Francisco do Humaitá e Santa Rita do Mutum. A consulta de municípios e distritos do Guia Judiciário devolve os seis primeiros, sem Santa Rita do Mutum — divergência entre duas fontes oficiais, registrada e não resolvida.

Violência contra a mulher — Ligue 180

180

Denúncia e orientação para mulheres em situação de violência. Atendimento 24h, sigiloso.

Apoio emocional — CVV

188

Ligação gratuita, sigilosa, 24h. Você não precisa estar em crise para ligar.

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Atendimento SMARGIASSI

SMARGIASSI Advogado — OAB/MG 155.242 · Criminalista com atuação em Tribunal do Júri e execução penal. Atuação em Direito Criminal (Tribunal do Júri), Família, Cível, Consumidor, Imobiliário e Empresarial, com escritório em Guaxupé/MG e atendimento nacional.

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