História
Mutum nasceu duas vezes, e uma delas em outro estado. A região era território litigioso entre Minas Gerais e Espírito Santo quando o povoado de São Manuel do Mutum foi elevado a distrito por Minas, pela lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, subordinado ao município de Rio José Pedro, o atual Ipanema. No ano seguinte, o Espírito Santo, que considerava a mesma terra sua, elevou-a a vila com nome inteiramente diverso — Marechal Hermes, pela lei capixaba nº 824, de 10 de abril de 1912, desmembrada de Rio Pardo, o atual Iúna —, e a instalou em 19 de junho de 1912. Por dois anos, portanto, o mesmo lugar foi distrito de um estado e sede de município do outro. Quem resolveu foi o laudo arbitral de 30 de novembro de 1914, ratificado pelo decreto estadual nº 4.304, de 19 de janeiro de 1915, e retificado pela lei estadual nº 673, de 5 de setembro de 1916: São Manuel do Mutum passou a Minas Gerais. Cidade em 10 de novembro de 1925, pela lei estadual nº 893. Comarca em 24 de outubro de 1936, pelo registro do Guia Judiciário do TJMG — e note-se a ordem, porque não é a comum: aqui a cidade veio antes da comarca, com onze anos de intervalo. Em 1938 o decreto-lei estadual nº 148 apagou o São Manuel do nome do município e mudou São Francisco do Humaitá para Humaitá, que em 1943 virou Alto Guandu e em 1960 voltou ao nome de santo. Os primeiros povoadores vieram de Rio Pardo, da Zona da Mata mineira e do norte fluminense, atraídos por terra fértil e barata — e, diz o verbete do IBGE, também pelo próprio litígio entre os dois estados.