História
A história institucional de Inhapim é a de um território que só parou de encolher depois de virar comarca. Começou como passagem: em 1811, tropas de carga cruzavam o lugar no caminho do Degredo de Cuieté, e a confluência do rio Caratinga com o córrego São Silvestre — batizado assim por ter sido encontrado num 31 de dezembro — é hoje o centro da cidade. A ocupação com raiz veio em 1865, na Guerra do Paraguai, quando se plantou o primeiro café na barra do ribeirão Santo Antônio; em 1882 os moradores compraram a gleba e fundaram o Patrimônio de São Sebastião de Inhapim; em 1885 havia catorze casas, três delas de comércio. O Decreto de 21 de dezembro de 1890 elevou o lugar a Distrito de Paz, desmembrando terras da freguesia de Entre Folhas e da vila de Caratinga, e em 1938 Inhapim deixou de ser distrito de Caratinga e se emancipou, instalando no mesmo ano o seu Cartório de Paz. O quadro territorial de 1938 mostra o tamanho do que veio depois: no Decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, Inhapim é o município nº 66 e tem quatro distritos — Inhapim, Santo Estevão, Novo Horizonte e Veadinho. Dez anos depois, a Lei estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948, criou o distrito de Dom Cavate em Inhapim e o município de Iapu com São João do Oriente e Bugre por distritos: três nomes que hoje são municípios autônomos e que, todos os três, continuam respondendo ao fórum de Inhapim. A comarca foi instalada em 15 de novembro de 1948, um mês antes dessa lei, e nunca perdeu território judiciário — o Anexo II da LC 59/2001 lista os mesmos sete municípios no texto original de 2001 e no texto vigente de 2026. Em 18 de junho de 2024, aos 76 anos de instalação, a comarca trocou de casa: saiu do prédio do Centro para o Fórum Anastásio Chaves do Loteamento Recanto Verde, com 2,2 mil metros quadrados, dois pavimentos, salão do Júri e espaço projetado para uma terceira vara que ainda não existe.