História
A história de Bonfim é a de um município que foi mãe de quase toda a sua vizinhança e terminou menor que várias das filhas. O arraial nasceu no limiar do século XVIII com colonizadores portugueses chefiados por um sesmeiro que recebeu carta de sesmaria em 3 de janeiro de 1750 e, mal chegou, ergueu capela em honra ao Senhor do Bonfim, com imagem vinda de Portugal; o núcleo se chamava Rocinha e passou a se chamar Bonfim de Paraopeba. Virou distrito pelo decreto de 14 de julho de 1832, vila pela lei provincial nº 134, de 16 de março de 1839, desmembrada de Queluz, com instalação em 24 de janeiro de 1842, e cidade pela lei nº 1.094, de 7 de outubro de 1860, já com o nome curto. Depois disso o município passou setenta anos recebendo distritos e mais setenta perdendo-os. Chegou a ter nove: na divisão administrativa de 1911 eram Bonfim, Brumadinho do Paraopeba, Porto Alegre, Nossa Senhora da Piedade dos Gerais, Santa Cruz de Dom Silvério, Santa Luzia do Rio Manso, Santana do Paraopeba, São Gonçalo da Ponte e Vargem Alegre. Quase todos trocaram de nome pelo caminho, e cada troca tem lei: a lei estadual nº 543, de 27 de setembro de 1910, fez Santa Cruz das Águas Claras virar Santa Cruz de Dom Silvério; a lei nº 556, de 30 de agosto de 1911, fez Nossa Senhora da Boa Morte virar Porto Alegre; a lei nº 622, de 18 de setembro de 1914, fez São Gonçalo da Ponte virar Belo Vale, Santo Antônio da Vargem Alegre virar Campo Alegre e Brumadinho do Paraopeba virar Conceição do Itaguá; a lei nº 843, de 7 de setembro de 1923, devolveu o nome Brumadinho e encurtou Santa Luzia do Rio Manso para Rio Manso; a lei nº 1.035, de 20 de setembro de 1928, fez Porto Alegre virar Moeda; o decreto-lei nº 88, de 30 de março de 1938, encurtou Santa Cruz de Dom Silvério para Dom Silvério; e o decreto-lei nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, transformou Dom Silvério em Crucilândia. Antes dos desmembramentos grandes a cidade já havia perdido território para o lado de Itaúna: a Lei estadual nº 319, de 16 de setembro de 1901, desmembrou de Bonfim os distritos que formariam aquele município, entre eles o que hoje é Itaguara. E então vieram as separações que fizeram o mapa atual. O decreto-lei estadual nº 148 tirou Belo Vale, Moeda e Santana do Paraopeba para formar o município de Belo Vale e, no mesmo ato, elevou Brumadinho a município. A lei estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948, levou Crucilândia. A lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, levou Piedade dos Gerais e Rio Manso. Sobrou o que existe hoje: sede e um distrito, Santo Antônio da Vargem Alegre, que já se chamou Vargem Alegre, depois Campo Alegre, depois Turibaí, e recuperou o nome antigo pela Lei estadual nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953. O detalhe que fecha a história é judiciário, e é ele que explica a ficha inteira. Das filhas que saíram, três — Crucilândia, Piedade dos Gerais e Rio Manso — nunca saíram do foro. É por isso que a comarca de 1953, que tinha dois municípios, tem quatro hoje sem nunca ter sido ampliada por lei: o território encolheu por fora e a jurisdição permaneceu. E é por isso que uma cidade de sete mil habitantes é sede de comarca desde 1892, com subseção própria da OAB e unidade da Defensoria: o fórum é mais velho que quase todos os municípios que a cercam.