Seis quilômetros separam Capim Branco do Fórum Doutor Júlio César de Vasconcelos, na Avenida Caio Martins, 1161, bairro Floresta, em Matozinhos: pela medida do Guia Judiciário do TJMG, nenhum outro termo da comarca fica tão perto da sede. A proximidade tem raiz antiga. Entre 1943 e 1953 a cidade foi distrito de Matozinhos, e a emancipação política não desfez o laço judiciário: consultado pelo código do município, o Guia recusa a busca e informa que a localidade "pertence à Comarca de Matozinhos", o que a Lei Complementar nº 59/2001 confirma no item 182 do Anexo II. Na prática, divórcio, guarda, inventário, usucapião, cobrança, ação de consumidor e processo criminal nascidos aqui passam pela Distribuição de Feitos do mesmo prédio, que reparte o serviço entre duas varas mistas, ambas com competência criminal: a 1ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais (mtz1secretaria@tjmg.jus.br) e a 2ª Vara Cível, Criminal e da Infância e da Juventude (mtz2secretaria@tjmg.jus.br). Nenhuma delas é privativa do Júri, e é numa delas que o homicídio, o feminicídio e a tentativa ocorridos em Capim Branco vão a plenário, com acusação feita pela promotoria de Matozinhos diante de jurados alistados na comarca, moradores de Capim Branco inclusive. Na fase de inquérito o desenho muda. Desde agosto de 2025, prisão, cautelares e quebra de sigilo das investigações da cidade são decididas pelo juiz das garantias de Esmeraldas, município que faz divisa com Capim Branco; o crime doloso contra a vida fica fora dessa regra e permanece com o juízo de Matozinhos do começo ao fim. A custódia também se resolve perto: por ser município da Região Metropolitana, quem é preso aqui é apresentado ao juízo de Matozinhos, ainda que levado a unidade da capital (Resolução nº 1.108/2025, art. 5º, § 2º). Depois da sentença, a execução acompanha o lugar de recolhimento, pela PC 344/2014: presídio de Sete Lagoas ou de Pedro Leopoldo leva o processo para lá; pena cumprida em liberdade ou na APAC de Matozinhos fica na 1ª Vara. O que escapa a esse prédio se resume a três trilhos. Organização criminosa, lavagem e milícia seguem para as varas especializadas de Belo Horizonte. Previdenciário e crime federal também vão à capital, onde está a Justiça Federal, já que a comarca deixou de ter competência delegada. E a reclamação trabalhista toma o rumo do Foro de Pedro Leopoldo, ao contrário do que ocorre com Prudente de Morais, vizinha da mesma comarca, que reclama em Sete Lagoas.