História
Antes de ter nome de padre, o lugar tinha nome de curral. O verbete do IBGE, com texto fornecido pela Prefeitura, conta que o povoado começou a se formar por volta de 1800, com a chegada das famílias Mota, Lisboa e Rodrigues, e que se chamava Saco dos Bois porque a forma do terreno, a pastagem natural e a água farta faziam dali o lugar de guardar o gado na seca. Durante mais de um século o arraial foi uma parte do enorme município de Januária, e mais exatamente do distrito do Brejo do Amparo, o núcleo de onde a própria Januária nasceu. A primeira mudança de estatuto veio em 7 de setembro de 1923: a Lei estadual nº 843 fez de Saco dos Bois um distrito de Januária, com terras tiradas do Brejo do Amparo, e deu a ele o nome de Cônego Marinho. O homenageado, pelo mesmo verbete, é o Padre José Antônio Marinho, nascido em 1803 no próprio Brejo do Amparo, filho de lavradores, mandado pelo padrinho ao seminário de Olinda por causa do talento, e lembrado como o primeiro padre assistente do Cônego Ramiro Leite. O distrito atravessou a divisão administrativa de 1933 e a divisão territorial de 1960 sem mudar de dono. A emancipação chegou em 21 de dezembro de 1995, depois de plebiscito, na mesma lei estadual — a de nº 12.030 — que criou numa só tacada dezenas de municípios mineiros, entre eles o vizinho Bonito de Minas. O Anexo I da lei registra o novo município sem outros distritos, com Januária como município remanescente e com a anotação "Comarca: Januária"; a instalação foi em 1º de janeiro de 1997. Setenta e dois anos de distrito, portanto, e uma separação que deixou intacto o vínculo judiciário. Depois vieram os distritos próprios: Olhos d'Água do Bom Jesus e Cruz dos Araújos, pelas Leis municipais nº 146 e 147, de 27 de novembro de 2003, e, mais tarde, São José de Macaúbas e Santo Antônio da Vaca Preta, que o IBGE já relaciona. O mapa judiciário, aqui, reconstitui o mapa antigo: o fórum que julga Cônego Marinho é o da cidade de que ele foi distrito, e o padre que lhe deu nome nasceu num distrito que ainda pertence a ela.