História
Joaíma começou como posto de vigilância, e o verbete do IBGE conta a história de trás para a frente: primeiro os botocudos do cacique Joahima, às margens do rio Jequitinhonha; depois, em 1811, o alferes Julião Fernandes Leão, mandado pela Coroa portuguesa para a margem direita do rio com ordens de aldear e catequizar os índios da região, numa época em que Lisboa temia que as terras diamantíferas do nordeste de Minas fossem tomadas por aventureiros. Do posto nasceu o Quartel de Água Branca, da 7ª Divisão Militar de São Miguel, batizado pelo córrego; do crescimento da aldeia, um segundo quartel, e o lugar virou Quartéis do Bonfim, pelo padroeiro, o Senhor do Bonfim.
A vida civil chegou em 1892, quando Cypriano de Souza, com numerosa família, veio de Santa Rita — a atual Medina — e abriu lavouras, erguendo, sob orientação do padre Emereciano Alves de Oliveira, a primeira capela, onde em 6 de agosto de 1900 se celebrou a primeira festa do Senhor do Bonfim. Pela mesma época o gaúcho Manoel Luiz chegou à frente de cerca de duzentos brancos e índios, que se fixaram na foz do ribeirão Anta Podre e consolidaram o arraial. A Lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, elevou o povoado a distrito, com o nome de Bonfim de Joahima — o texto da lei na ALMG, no item XIV, o situa "na povoação de Bonfim dos Quartéis, no município de Araçuaí", enquanto o IBGE o dá como distrito do recém-criado município de São Miguel de Jequitinhonha; a ficha registra a divergência.
A emancipação veio pela Lei estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948, a lei geral da divisão administrativa e judiciária de Minas daquele ano, que trouxe o "Município de Joaima" com dois distritos — Joaíma e Felisburgo — e definiu as suas divisas com Itinga, Jequitinhonha, Almenara, Rubim, Águas Formosas e Teófilo Otoni, seguindo divisores de águas e ribeirões: o Anta Podre Pequeno, o São Miguel, o Rubim do Sul, o rio do Prado. Felisburgo, o distrito de 1948, é hoje município próprio e responde à mesma comarca de Jequitinhonha que Joaíma. O distrito que ficou é Giru, que o IBGE registra como a segunda unidade administrativa do município.
Do ponto de vista judiciário a história é uma linha reta: distrito de um município do vale em 1911, município em 1948, e sempre sob a comarca de Jequitinhonha, instalada em 1º de janeiro de 1918. A LC 59/2001 tentou mudar isso ao criar a Comarca de Joaíma — com Fronteira dos Vales no Anexo II —, mas a comarca nunca saiu do papel, e o mapa de 2026 é o de 1948.