História
A história de Caraí é a de uma região que trocou de nome e de dono quatro vezes em cem anos. O verbete do IBGE começa por uma expedição que, em princípios do século XIX, teria saído de Minas Novas com destino ao litoral baiano passando por Marambaia, e a ela se atribui o primeiro desbravamento do território — mas só da parte que então se considerava do Rio Mucuri. A outra metade, a que pertencia a Araçuaí, teria sido visitada pela primeira vez em 1875 pelo padre Agostinho Francisco Paraíso, pregador empenhado na catequese dos índios que ali viviam. Frei Samuel, citado pelo mesmo verbete, registra que os botocudos dominavam grande parte da região e que um grupo deles, acossado pelas forças do governo, escapou e se localizou no território por volta de 1866 — já em grande parte mestiços, circunstância que teria facilitado a catequese. O padre levou boa parte deles para a sua fazenda de cacau, às margens do Marambaia, afluente do Mucuri. É preciso ler essa passagem pelo que ela é: o relato, escrito do ponto de vista de quem catequizou, da remoção de uma população inteira. O nome do padre ficou no município vizinho, Padre Paraíso, que foi distrito de Caraí até 1962. A ocupação que deu origem à cidade veio depois e veio por pedra. Em 1894 Joaquim Coimbra e Vicente Coimbra chegaram de Grão-Mogol à procura de pedras preciosas, encontraram a região "já livre de índios" — expressão do verbete — e resolveram ficar, dedicando-se à agricultura. Ergueram uma capela em honra a São José e ao redor dela o povoado cresceu, embora no começo do século XX, ainda segundo Frei Samuel, não houvesse ali cinquenta famílias. O desenvolvimento veio das lavras de pedras preciosas, das possibilidades agrícolas e das visitas frequentes de padres vindos de Araçuaí. A partir daí a história é jurídica. Lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911: cria-se o distrito de Caraí, subordinado a Araçuaí. Decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943: o distrito sai de Araçuaí e entra na constituição do novo município de Novo Cruzeiro. Lei estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948: Caraí se emancipa de Novo Cruzeiro, com os distritos de Caraí, Marambainha e Padre Paraíso, e se instala em 1º de janeiro de 1949. Lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962: Padre Paraíso se emancipa de Caraí. Lei estadual nº 8.285, de 8 de outubro de 1982: cria-se Ponto do Marambaia com terras de Marambainha. Lei municipal nº 636, de 3 de novembro de 1994: cria-se o distrito de Maranhão. Setenta e cinco anos depois da emancipação, a Justiça estadual devolveu Caraí ao ponto de partida: é em Novo Cruzeiro, o município de que se separou, que o caraiense ajuíza a sua ação.