História
A história de Padre Paraíso é a de um lugar que foi ficando no caminho dos outros. Por volta de 1875 o padre Agostinho Francisco de Mendonça Paraíso entrou naquela mata do médio Jequitinhonha para catequizar botocudos e acabou recrutando parte deles para a própria fazenda de cacau, no local da aldeia, às margens do rio Marambaia. Em 1890 o governo legou vastas terras ao ex-combatente da Guerra do Paraguai Clemente da Silva, e por volta de 1902, já sem índios, famílias vindas de Minas Novas, Grão Mogol, Araçuaí, Novo Cruzeiro e Caraí se agruparam na confluência dos córregos Água Vermelha e São João, em terras do filho dele. O povoado se chamou São João da Água Vermelha pela cor das águas em dia de chuva, ergueu capela a São João Batista por volta de 1906 e teve primeiro mercado em 1912, quando a descoberta de pedras semipreciosas trouxe garimpeiro de barraca de pau-a-pique. O que mudou a escala foi a estrada: por volta de 1945 a Rio-Bahia, hoje BR-116, cortou o povoado ao meio, trouxe operário e abriu intercâmbio comercial. Em 1948 a Lei estadual nº 336 o elevou a distrito e lhe deu o nome do padre; em 1962 a Lei estadual nº 2.764 o fez município. A parte judiciária dessa história é a mais curta e a mais teimosa: em 2001 a LC 59 criou a comarca de Padre Paraíso e lhe reservou um juiz. Em 2022 a LC 166 voltou ao assunto e, em vez de instalar, escreveu no artigo 3º, § 3º, a regra que confirma o contrário — até a instalação, vale a divisão anterior. Vinte e cinco anos depois da criação, o município continua indo a Araçuaí, que é onde ia antes de 2001.