História
A história de Rubim tem um começo bem documentado pelo IBGE e uma ironia jurídica embutida. O primeiro desbravador de que se tem notícia foi Tiago José de Almeida, que chegou com dois camaradas, um animal de carga e ferramentas agrícolas, procurando terra onde se arranchar; o território era habitado por indígenas, cujo principal aldeamento ficava onde hoje está a sede da Fazenda Iracema. Depois dele veio, da Bahia, um engenheiro cujo nome o verbete oficial diz ignorar, com ordens de arranchar e expulsar os índios, o que fez após lutas que os empurraram para as matas de Umburana; derrubou mata, plantou lavoura e desapareceu meses depois, para nunca mais voltar. Terceiro chegou Quinto Fernandes Ruas, de família tradicional de Pedra Azul, que se apossou de um pedaço de terra e, homem lutador e amigo de todos os que demandavam o lugar, facilitou a fixação de outros — em pouco tempo havia um pequeno núcleo populacional, batizado UNIÃO pelos primeiros moradores, justamente pela harmonia entre eles. É Quinto Fernandes Ruas que o IBGE registra como patrono da fundação da cidade. Com o nome de União o povoado ficou até 1923, quando a Lei estadual nº 843, de 7 de setembro daquele ano, criou o distrito de RUBIM, com terras desmembradas do distrito de São João da Vigia, subordinado ao município de JEQUITINHONHA. Aí começa a parte que interessa a esta página. Em 12 de janeiro de 1938, o Decreto-Lei nº 58 transferiu o distrito de Rubim de Jequitinhonha para constituir o novo município de VIGIA — que é o nome antigo de Almenara. Em 31 de dezembro de 1943, o Decreto-Lei estadual nº 1.058 elevou Rubim a município, desmembrado de Almenara (ex-Vigia) e de Jequitinhonha, com dois distritos: a sede e RIO DO PRADO. O verbete do IBGE anota, com honestidade que esta ficha imita, que não se tem a data de instalação do município. Em 12 de dezembro de 1953, a Lei nº 1.039 criou o distrito de Itapiru, a partir de povoado, e anexou-o a Rubim; a mesma lei desmembrou Rio do Prado, que virou município. Da divisão territorial de 1960 em diante o município é o que é hoje: dois distritos, Rubim e Itapiru. A ironia está em superpor essa linha do tempo ao Anexo II da LC 59/2001. Rubim nasceu de Almenara e de Jequitinhonha — exatamente as duas comarcas que disputam, no mapa, a jurisdição do Baixo Jequitinhonha — e teve Rio do Prado como seu distrito até 1953. Setenta anos depois, a lei que criou a comarca de papel de Rubim lhe atribuiu, no Anexo II, justamente Rio do Prado e Palmópolis: o legislador de 2001 desenhou, sem dizer, o mapa de 1943. E a comarca que de fato julga é a de Almenara, a mesma que, com o nome de Vigia, recebeu o distrito de Rubim em 1938. A cidade, em outras palavras, voltou para a mãe.