História
O verbete do IBGE abre a história de Tiradentes com os paulistas, "atraídos pelos cascalhos e manchas de ouro nos montes e bacia do rio das Mortes", e com um guarda-mor: Tomé Portes del-Rei, preposto do guarda-mor geral Garcia Rodrigues Pais, que vivia no Porto Real da Passagem cuidando de canoas, roça e venda de víveres, e cobrando impostos dos aventureiros. Foi João de Siqueira Afonso quem o alertou para o ouro no sopé da serra de São José, e em 1702, diz a fonte, fundou-se ali o primeiro agrupamento de garimpeiros, o Arraial de Santo Antônio. A região foi palco da Guerra dos Emboabas: o verbete lembra a chacina do Capão da Traição, em fevereiro de 1709, e os combates de 14 a 18 de novembro daquele ano, quando os paulistas abandonaram o local. A vila veio em seguida — a segunda do Rio das Mortes, com o nome de São José, em homenagem ao príncipe D. José, filho de D. João V —, e com o ouro vieram as igrejas, o comércio e o casario que o IPHAN tombaria dois séculos depois. A formação administrativa tem idas e vindas: o município foi suprimido pela Lei provincial nº 360, de 30 de setembro de 1848, e restaurado pela nº 452, de 20 de outubro de 1849, com território desmembrado de São João del-Rei; a sede virou cidade pela Lei provincial nº 1.092, de 7 de outubro de 1860; e o nome de Tiradentes veio pelo Decreto estadual nº 3, de 6 de dezembro de 1889. No século XX o município encolheu três vezes: perdeu Barroso para Dores de Campos em 1938, parte da sede para Prados no mesmo ano, e Santa Cruz de Minas, que emancipou em 1995. O verbete dedica metade do texto ao alferes Joaquim José da Silva Xavier: órfão aos onze anos, mascate, minerador, "médico prático", alferes do Regimento de Dragões, comandante da patrulha do Caminho Novo, preso no Rio de Janeiro em 10 de maio de 1789 e executado em 21 de abril de 1792, depois de assumir, nas palavras da fonte, "toda a responsabilidade da rebelião".