História
A história jurídica de Cachoeira Paulista começa antes de a cidade ter esse nome. O povoamento aparece em documentos de 1730 como Arraial do Porto da Caxoeira, pertencente à Vila de Lorena, e ganha corpo em 1780 com uma ermida ao Senhor Bom Jesus da Cana Verde. O ato que cria o patrimônio é uma doação de terras: em 18 de outubro de 1784, Manoel da Silva Caldas e sua esposa, Ângela Maria de Jesus, doaram "duzentas braças de testada e meia légua em direção aos sertões situados na margem esquerda do Rio Paraíba do Sul, até as divisas com o Embaú" para o patrimônio da Capela do Bom Jesus da Cana Verde — um documento de terras que é, em substância, o primeiro título coletivo do lugar, e que explica por que o traçado do Centro nasce da capela. A primeira rua foi a Rua Bom Jesus, que partia da capela e alcançava a rota dos tropeiros para Minas Gerais: a cidade é, desde o começo, ponto de passagem entre o Vale e o sul mineiro, e isso nunca deixou de ser verdade. Todo esse relato está no verbete da Biblioteca do IBGE para o município 3508603, que credita como fonte a própria Prefeitura, com acesso em dezembro de 2024 e leitura nossa em 24/09/2026. A sequência jurídico-administrativa é de nomes trocados: freguesia de Santo Antônio da Bocaína em 1876, vila desmembrada de Lorena em 1880 e instalada em 08/01/1883, cidade de Bocaina em 1895, Cachoeira em 1915, Valparaíba em 1944 e Cachoeira Paulista em 1948. No meio dessa linha entra a data que interessa a este portal: a COMARCA é criada em 25 de agosto de 1892, segundo o registro do próprio TJSP. Vale notar a ordem — a comarca de 1892 é anterior à fixação do nome atual, em 1948, e à própria elevação a cidade sob o nome Bocaina, em 1895. Isso significa que o acervo judicial e registral mais antigo da cidade está catalogado sob nomes que já não existem, e que busca de escritura, inventário ou registro anterior a 1948 feita apenas por "Cachoeira Paulista" deixa documento de fora. Note também que a serventia de registro de imóveis se instalou em 07/07/1893, menos de um ano depois da comarca: foro e registro nasceram juntos, e é por isso que a cadeia dominial do Centro pode ser reconstituída desde o fim do século XIX, com a ressalva dos nomes. Dois episódios fixam a cidade na história nacional: a parada do Príncipe Regente Dom Pedro I, em 18 de agosto de 1822, na então Freguesia de Santo Antônio da Cachoeira, dias antes da Independência; e a transformação do município em praça de guerra em 1932, quando se tornou Quartel-General do Movimento Constitucionalista. A segunda tem resíduo jurídico duradouro: cidade que sediou comando de movimento armado guarda arquivo, monumento, memória patrimonial e potencial de tombamento, e tudo isso reaparece em licenciamento de obra e em ação de vizinhança no Centro histórico.