História
A história de Conquista começa numa expedição e numa fazenda. Em 1803 uma comitiva partiu do povoado de Desemboque para explorar o Triângulo Mineiro, e as terras percorridas foram repartidas em sesmarias entre os expedicionários. Duas delas deram origem ao município: a do coronel Domingos Vilela de Andrade, que batizou sua propriedade de Fazenda da Conquista, e a do português Manuel Bernardes Nazianzeno da Silveira, cujas terras serviam de pouso a quem demandava o porto de Ponte Alta, escoadouro do comércio que vinha dos sertões de Minas, Goiás e Mato Grosso. O povoado propriamente dito nasceu do trilho. Por volta de 1888 o coronel Francisco Meireles do Carmo abriu ali um armazém para abastecer as turmas que construíam a Estrada de Ferro Mogiana, e a obra atraiu gente de fora, que ficou trabalhando na ferrovia ou na extração de látex de mangabeira. Em 1894 o engenheiro Crispiniano Tavares, natural de Ilhéus, contratado pelos coronéis Domingos Vilela de Andrade e Antônio Alves da Silva, desenhou a planta do lugar, com as avenidas largas e retilíneas que ainda hoje definem a cidade — é raro que um povoado de ferrovia do interior mineiro tenha nascido com projeto urbanístico, e é essa a explicação do desenho atípico do centro. A escada administrativa é bem documentada. O distrito foi criado por leis municipais de Sacramento — a nº 7, de 23 de novembro de 1892, e a nº 88, de 10 de setembro de 1901 — e instalado em maio de 1906. A vila veio pela Lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, desmembrada de Sacramento, e foi instalada em 1º de junho de 1912, com dois distritos: Conquista e São Francisco da Ponte Alta, que o recenseamento de 1920 já registra com o nome atual, Jubaí. A Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, criou o terceiro, Guaxima, com território tirado do distrito da sede, e a Lei estadual nº 893, de 10 de setembro de 1925, elevou Conquista à categoria de cidade. Os três distritos atravessaram o século sem alteração: é raro em Minas, onde a emancipação de distrito desmontou centenas de municípios entre 1948 e 1995. A parte judiciária dessa história tem um vão que a ficha registra sem preencher. Os quadros territoriais de 1936, 1937 e 1938 já dizem que o município compreende um único termo judiciário da comarca de Conquista, e a Lei estadual nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, ainda lista a comarca de Conquista sob o número 73, com um município só, na seção de circunscrições judiciárias do seu Anexo nº 1. Dali em diante o registro cala, e o Guia Judiciário do TJMG dá como data de instalação 16 de dezembro de 1975. Entre um marco e outro a comarca foi suprimida, e o destino mais provável dos feitos era Sacramento, que é a comarca-mãe do município e segue sendo a primeira da fila de substituição. Qual ato a suprimiu e qual a restaurou é pergunta que a ficha deixa aberta, porque a Assembleia Legislativa não publica o corpo articulado das leis de divisão judiciária desse período e não há busca textual na legislação antiga mineira.