História
A história de Nova Ponte é a de um lugar que perdeu o próprio sítio. Começou com a bandeira de Castanho Taques procurando atalho para Paracatu e com uma sesmaria cortada em duas pelo rio Araguari, então chamado rio das Velhas, como o Decreto-Lei nº 148/1938 ainda registra entre parênteses. Nas duas margens nasceram dois povoados em torno de duas igrejas, São Miguel e São Sebastião, e o detalhe que explica o resto é administrativo: cada arraial ficou num município diferente. O texto original da Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, mostra a divisão em preto no branco — entre os distritos de Sacramento está "Nova Ponte", que a mesma lei acabava de rebatizar a partir de São Miguel da Ponte Nova; entre os de Monte Carmelo está "São Sebastião da Ponte Nova". Uma ponte de madeira paga por particular em 1858, com pedágio autorizado por trinta anos, ligou os dois lados; ruiu em 1904 e foi substituída em 1908 pela estrutura metálica que virou o nome da cidade. O município veio com o Decreto-Lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938 — o Quadro Territorial Administrativo e Judiciário que o Estado fez valer em ato solene no dia 1º de janeiro de 1939, e que dividia as cidades mineiras entre sede de comarca, sede de termo e sede de município sem foro —, com o número 231 e território tirado de Sacramento e de Monte Carmelo, as duas margens finalmente no mesmo mapa. O corte seguinte foi de outra ordem. Em 28 de abril de 1988 o Decreto federal nº 95.983 declarou de utilidade pública, para desapropriação, 500 km² de terra com benfeitorias em oito municípios — Nova Ponte, Santa Juliana, Sacramento, Pedrinópolis, Iraí de Minas, Perdizes, Patrocínio e Serra do Salitre —, autorizou a concessionária a desapropriar com recursos próprios e a invocar urgência para imissão na posse. A descrição do perímetro, marco a marco, ainda menciona uma estrada "no sentido da cidade de Nova Ponte": a cidade que deixou de existir. O enchimento do reservatório correu de outubro de 1993 a outubro de 1994, e o relatório ambiental que a concessionária apresentou ao Estado em 2011 diz a frase decisiva sem rodeio — toda a área urbana do município foi afetada, e foi necessário realocar os moradores construindo uma cidade nova. As indenizações foram pagas aos proprietários das casas antigas e o valor investido em moradias novas na área destinada à cidade nova; a concessionária também construiu os prédios de infraestrutura, entre eles a prefeitura, igrejas, museus e ginásios, e as praças. O foro chegou por último: município em 1938, comarca em 2005, sessenta e sete anos depois — e já na cidade nova, porque em 2005 a antiga fazia onze anos de submersa.