História
Santa Juliana nasceu de uma capela e de um ribeirão, e cresceu por causa da terra. O verbete municipal do IBGE conta que fazendeiros vindos de Uberaba e de Araxá compraram propriedades rurais e mudaram suas casas para perto do Rio Araguari, e que o povoado começou em meados de 1842 com uma modesta capela dedicada a Nossa Senhora das Dores, cuja primeira imagem veio de Baependi, doada pelo fazendeiro José Ferreira Chaves. O ribeirão já tinha nome — dado, segundo a tradição que o verbete registra com a fórmula "conta-se", por bandeirantes que ali encontraram o casebre de uma mulher chamada Juliana, apelidada de Santa. Da padroeira e do ribeirão saiu o nome do arraial, Dores de Santa Juliana. A formação administrativa é longa e sempre com Araxá por perto: a Lei provincial nº 2.153, de 15 de novembro de 1875, criou o distrito de Dores de Santa Juliana, pertencente ao município de Araxá; a Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, o manteve; e no quadro da Divisão Administrativa de 1936 ele já aparece com o nome curto, Santa Juliana. A emancipação veio com o Decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, que elevou o distrito à categoria de cidade e criou o município de Santa Juliana, então com um único distrito, o da sede. Dez anos depois, a Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, criou os distritos de Pedrinópolis e de Zelândia — e Santa Juliana perdeu território em 1962, com a emancipação de Pedrinópolis, que hoje é seu vizinho de divisa. O rio que atraiu os fundadores voltou à história em 1988: o Decreto federal nº 95.983, de 28 de abril daquele ano, declarou de utilidade pública, para desapropriação, 500 km² de terras necessárias à formação do reservatório da usina hidrelétrica de Nova Ponte, "no rio Araguari, localizada nos Municípios de Nova Ponte, Santa Juliana, Sacramento, Pedrinópolis, Iraí de Minas, Perdizes, Patrocínio e Serra do Salitre" — Santa Juliana é o segundo nome da lista. O foro chegou mais tarde e veio de fora: a comarca que hoje julga o município é a de Nova Ponte, instalada só em 15 de agosto de 2005. Registre-se a data de 17 de dezembro, que é a do decreto-lei de 1938 que criou o município e que aparece, sem que a fonte diga por quê, entre os feriados municipais que o TJMG publica para a comarca em 2026.