História
Lassance é uma cidade feita pela ferrovia e tornada célebre pela medicina. O relato oficial começa por volta de 1847, com um pouso de tropeiros que vinham de Montes Claros, Brasileia, Pirapora e Coração de Jesus e com o rancho de Liberato Nunes de Azevedo, em torno do qual outras famílias se fixaram. O prolongamento da Estrada de Ferro Central do Brasil transformou o pouso no povoado de São Gonçalo das Tabocas, e em 1908 a estação inaugurada ali recebeu o nome do chefe da construção, o engenheiro Ernesto Antônio de Lassance Cunha — nome que o povoado adotou. Foi a mesma obra que trouxe Carlos Chagas: segundo o portal da Fiocruz sobre a doença, ele estava no norte de Minas em campanha contra a malária, que impedia o avanço dos trilhos, quando, na área de Lassance, encontrou um tripanossomo novo em saguis, relacionou-o ao inseto que os moradores chamavam de barbeiro e, em 14 de abril de 1909, achou o parasito no sangue de uma criança febril, Berenice, de dois anos — o primeiro caso de uma nova doença humana. O distrito veio pela Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, ainda subordinado a Pirapora, e o município pela Lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, instalado em 1º de janeiro de 1954. A mesma lei de 1953 descreveu os limites do novo município — o rio São Francisco com Pirapora, o rio das Velhas e a serra da Piedade com Várzea da Palma, a serra do Cabral com Buenópolis, o rio das Velhas e o divisor de águas com Corinto — e o pôs na Comarca de Pirapora. Em 1992, com a instalação da comarca de Várzea da Palma, Lassance mudou de foro, e ali está até hoje.