História
Felixlândia começou como devoção e terra doada. Em 19 de abril de 1762, conta o verbete do IBGE, o padre Félix Ferreira da Rocha, morador da fazenda do Bagre, resolveu fundar uma capela a Nossa Senhora da Piedade e doou para ela a área entre o riacho das Pedras e o riacho dos Bois. A capela virou polo de fiéis e o arraial que cresceu em volta tomou o nome da santa e da fazenda: Piedade do Bagre. O distrito foi criado subordinado a Curvelo — o verbete dá duas datas, 1842 no texto de abertura e a lei provincial nº 905, de 8 de junho de 1858, no parágrafo de formação administrativa —, confirmado por lei estadual em 1891, e permaneceu curvelano nas divisões de 1911, 1936 e 1937. A emancipação veio com a grande lei de divisão territorial de 27 de dezembro de 1948, a Lei estadual nº 336, que criou de uma vez dezenas de municípios mineiros e rebatizou vários deles: na lista de topônimos da lei está a linha "Felixlândia Ex-Piedade do Bagre", e no corpo da lei estão os limites do novo município, que desenham o seu território com rios. Com o município então chamado Moravânia — hoje Morada Nova de Minas —, a divisa começava no rio São Francisco, na foz do rio Paraopeba, e descia o São Francisco até a foz do ribeirão da Extrema. Com Corinto, subia o ribeirão da Extrema e seguia pelo divisor de águas entre o São Francisco e o rio das Velhas até a cabeceira do riacho das Vacas. Com Curvelo, seguia esse divisor até o córrego dos Meleiros, descia até o ribeirão das Almas e por ele até o Paraopeba. E com Pompéu, descia o Paraopeba até a sua foz no São Francisco, fechando o polígono. Felixlândia nasceu, portanto, como a terra entre dois rios, o Paraopeba e o São Francisco, na barra de um no outro. Cinco anos depois, a Lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, criou o distrito de São José do Buriti, traçou a sua divisa com a sede e pôs Felixlândia como termo da comarca de Curvelo — a mesma vinculação judiciária que a Lei Complementar nº 59/2001 manteria meio século depois. O terceiro distrito, São Geraldo do Salto, já figura na divisão territorial de 1997. De lá para cá mudou o mapa do entorno — o município de Três Marias, hoje vizinho de divisa, não está entre os confrontantes de 1948 —, mas não mudou o endereço do fórum: quem é de Felixlândia vai a Curvelo, a cidade que o gerou, para ser ouvido por um juiz.