História
A história institucional de Pains é uma sequência de separações, e cada uma delas deixou um vestígio no mapa judiciário de hoje. O povoamento começa, segundo o verbete do IBGE, com as vinte cartas de sesmaria assinadas para a província em 1767, quando parentes de Inácio Corrêa Pamplona — o mesmo que a Coroa encarregou de perseguir índios e quilombolas na região — se estabeleceram nas matas do rio São Francisco e deram origem à família Paim Pamplona; a página de história da Prefeitura, apoiada num livro de memórias de família impresso no Recife em 1916, situa em 1820 a chegada dos primeiros desbravadores das famílias Gonçalves de Mello, Paim, Goulart, Veloso e Lopes, atraídos pela fertilidade das terras, pela caça e pela pesca, e dá 1854 como o ano em que o capitão Manoel Gonçalves de Mello mandou erguer, na margem direita do rio São Miguel e em terreno da sua fazenda Cachoeira, a capela octogonal de Nossa Senhora do Carmo. O capitão e o vizinho Manoel Antônio de Araújo doaram então cerca de 12 hectares para o patrimônio do povoado. O verbete, por sua vez, data a doação de 1830 e a conclusão da igreja de 1884, e diz que na fazenda dos Araújos nasceu Ana Jacinta de São José, a Dona Beja. As datas não fecham entre as duas fontes e a ficha as registra lado a lado. O que fecha é a cadeia de atos. A Lei Provincial nº 3.221, de 11 de outubro de 1884, criou o distrito de Nossa Senhora do Carmo de Pains, subordinado a Formiga, e a Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, o manteve. A Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, cortou a invocação religiosa: o quadro de distritos do texto atualizado da ALMG traz a linha "Carmo de Pains — Formiga — Pains". Pains passou sessenta anos como distrito de Formiga, e então veio o Decreto-lei nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943 — o ato que redesenhou o estado inteiro e rebatizou dezenas de cidades —, cuja nota 81 descreve o município novo como "criado com o território dos distritos de Pains, desmembrado do município de Formiga, e Pimenta, desmembrado do município de Piumhi". A nota 82 registra, no mesmo ato, que Pains perdeu parte do território da "Mata de Pains" para Formiga. Cinco anos depois, a Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, fixou a divisão administrativa e judiciária para 1949-1953: criou o distrito de Vila Costina, no antigo povoado de Grama, anexou-o a Pains e desmembrou Pimenta, que virou município. Desde a divisão territorial de 1º de julho de 1960 o município tem os mesmos dois distritos, e assim permanecia em 2007. A comarca é o capítulo que não aconteceu. Enquanto Arcos, emancipada pelo mesmo decreto-lei de 1943, recebeu comarca instalada em 6 de junho de 1950, Pains seguiu como termo de Arcos até que a LC 59/2001 lhe deu comarca própria no papel, com Córrego Fundo e Pimenta. Vinte e cinco anos depois, a instalação não veio, e o Guia Judiciário continua respondendo "pertence à Comarca de Arcos". A cidade que se separou de Formiga responde a Arcos; os dois municípios que a lei lhe destinou respondem a Formiga.