História
A história de Guararapes começa com uma compra de terras. Em 1908, os irmãos Antonio, Joaquim e Prisciliano Pinto de Oliveira, vindos de Varginha, em Minas Gerais, adquiriram uma gleba entre os córregos Jacaré e Frutal e ali se fixaram. As primeiras famílias chegaram em 1920, depois que Manoel Bento da Cruz abriu a estrada Aguapeí-Tietê. Em 1927 os irmãos lotearam a propriedade e entregaram a administração do empreendimento à Companhia Paulista de Colonização Ltda.; no ano seguinte fizeram a doação que formou o patrimônio. O que transformou o loteamento em cidade foi o trilho: com o avanço da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, projetou-se uma estação nas terras dos Pinto de Oliveira, um pouco além do Córrego Frutal, e o engenheiro Mário Barroso Ramos desenhou o arruamento. Escolheu-se o dia 8 de dezembro de 1928 como data oficial de fundação, com Nossa Senhora Imaculada Conceição por padroeira. O núcleo se chamava Frutal, pela abundância de jaboticabeiras, e o primeiro aniversário foi comemorado em dezembro de 1929, com missa celebrada por Monsenhor Adauto Rocha.
A escada administrativa subiu depressa, no ritmo da Noroeste. O distrito foi criado pelo Decreto estadual nº 6.546, de 10 de julho de 1934, subordinado ao município de Araçatuba, e foi nesse momento que o nome mudou para Guararapes. Em 31 de dezembro de 1936 o distrito ainda figurava em Araçatuba; dias depois, a Lei estadual nº 2.833, de 5 de janeiro de 1937, elevou-o à categoria de município, desmembrado de Araçatuba, com sede no antigo Núcleo Urbano de Frutal e constituído de dois distritos, Guararapes e Ribeiro do Vale. A instalação do município ocorreu em 6 de junho de 1937. O Decreto-lei estadual nº 14.334, de 30 de novembro de 1944, criou e anexou a Guararapes os distritos de Rio do Vale e Rubiácea, e no quadro de 1944-1948 o município tinha três distritos. Em 24 de dezembro de 1948, a Lei estadual nº 233 desmembrou Rubiácea e a elevou a município. Desde então, e ainda na divisão territorial de 2023, Guararapes tem dois distritos: a sede e Ribeiro do Vale.
O capítulo judiciário vem quatro anos depois da emancipação de Rubiácea, e costura as duas cidades de novo. A Lei estadual nº 1.940, de 3 de dezembro de 1952, criou dez comarcas de uma vez — Dracena, Fernandópolis, Pacaembu, Pedregulho, Jales, Mirandópolis, Guararapes, Presidente Bernardes, Regente Feijó e Lençóis Paulista — e, no seu artigo 1º, escreveu a de Guararapes com a ressalva que ainda hoje define o mapa do foro: "Guararapes (abrangendo o município de Rubiacéia)". Rubiácea havia saído do município em 1948 e voltou, em 1952, para dentro do foro. O § 1º do mesmo artigo classificou as dez comarcas novas "entre as de primeira entrância", e o artigo 8º deu 180 dias para instalá-las; a de Guararapes foi instalada em 29 de abril de 1953. Setenta e três anos depois, a Lista Telefônica do TJSP responde exatamente a mesma coisa: Guararapes é sede, Rubiácea está jurisdicionada a ela. Poucas comarcas paulistas têm uma linha tão reta entre a lei de criação e o cadastro de hoje.