História
A história de Riacho dos Machados começa, pelo verbete do IBGE, com uma capela de tropeiros. Eles ergueram à beira de um riacho a capelinha de Santo Antônio do Riacho, que servia de ponto de oração e de referência. A família Machado, instalada num lugar chamado Tapera, saiu a explorar as redondezas, conheceu a capela e um velho conhecido como "Zé Menino", tido como o primeiro morador do lugar e de origem ignorada, e se encantou com o que ele contava da fauna e da flora. Decidiram morar ali. Aos poucos os Machado assumiram a liderança do povoado, e em torno deles se agruparam viajantes vindos do Nordeste e tropeiros atraídos pela terra fértil e pela boa água do riacho. Foram eles, diz o IBGE, os primeiros a plantar algodão na região, e a população se organizou em torno dessa lavoura. O nome acompanhou essa história: Santo Antônio do Riacho por causa da capela, Santo Antônio do Riacho dos Machados pelo peso da família, e Riacho dos Machados a partir da Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923. Administrativamente, o distrito foi criado pela Lei provincial nº 2.500, de 12 de novembro de 1878, confirmado pela Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, no município de Grão Mogol. O Decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, que criou o município de Porteirinha, levou Riacho dos Machados junto: o distrito deixou Grão Mogol e passou à nova cidade, e assim figurou nas divisões territoriais de 1950 e 1960. A emancipação veio com a Lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, que elevou o distrito a município, desmembrado de Porteirinha, com sede no antigo distrito. O IBGE registra a instalação em 1º de janeiro de 1963; a Prefeitura comemora o aniversário em 3 de março, data em que diz ter sido oficializada a emancipação. O distrito de Bem-Querer, que o IBGE lista hoje, é posterior: o verbete ainda descreve o município com um só distrito na divisão territorial de 2007. A Justiça não acompanhou a emancipação. Riacho dos Machados nasceu dentro da órbita judiciária de Porteirinha, comarca instalada em 15 de setembro de 1950, e lá ficou: a Lei Complementar estadual nº 59/2001 o arrola no item 245 do Anexo II, e o Guia Judiciário do TJMG responde hoje que a localidade "pertence à Comarca de Porteirinha".