História
Grão Mogol nasceu de diamante e de nome emprestado. O povoado da Serra de Santo Antônio do Itacambiraçu surgiu no fim do século XVIII, quando se descobriram diamantes na serra, e em 1839 já se chamava Arraial da Serra de Grão Mogol — topônimo importado do outro lado do mundo, do império mogol, como se o garimpo tivesse batizado a si mesmo pela grandeza que esperava. O comércio clandestino de pedras cresceu até incomodar a Coroa, que mandou um representante assumir o controle da exploração. Distrito pela Lei Provincial nº 184, de abril de 1840, o lugar virou vila pela Lei Provincial nº 171, de 23 de março de 1849, desmembrada de Montes Claros, e cidade pela Lei Provincial nº 859, de 14 de maio de 1858. A comarca veio depois, instalada em 9 de maio de 1892, segundo o Guia Judiciário — aqui o município é bem mais velho que o juízo, o contrário do que se vê em várias comarcas mineiras. O século XX foi de perdas territoriais em cadeia, e todas estão na legislação estadual: o Decreto-Lei nº 148, de 17 de dezembro de 1938, levou Porteirinha, Gorutuba e Riacho dos Machados para formar o município de Porteirinha; o Decreto-Lei nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, criou o distrito de Botumirim e rebatizou Santo André como Catuni; a Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, criou Barrocão; a Lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, emancipou Botumirim, Cristália e Itacambira de uma vez e criou os distritos de Josenópolis e Padre Carvalho; uma resolução de 1964 passou Catuni para Francisco Sá; e a Lei estadual nº 12.030, de 21 de dezembro de 1995, emancipou Josenópolis e Padre Carvalho. De cidade mais importante do Norte mineiro, como o próprio verbete do IBGE a descreve, Grão Mogol passou a município rarefeito de um território enorme — e a comarca ficou com três dos filhos que o município perdeu.