História
A história de Ladainha começa com trilhos, e a cronologia oficial tem dois pedaços que não se encaixam perfeitamente. O primeiro é o do verbete do IBGE, que conta a versão local: uma sesmaria chamada Jacinto Mendes, doada por D. Pedro II em 1877 a um veterano do Paraguai; o barracamento do Coronel José Ribeiro de Oliveira, empreiteiro da Estrada de Ferro Bahia e Minas, montado entre 1914 e 1915 e tido como marco inicial do povoado; as oficinas da ferrovia e as cinquenta e uma casas de empregados construídas em 1926; a transferência, em 1929, da sede do distrito que ficava na Vila Concórdia para Ladainha; e a criação da vila e do distrito em setembro de 1932, que o verbete data pelos livros do Cartório de Paz, sem citar o ato.
O segundo pedaço é o da legislação estadual, e ele dá as datas com número. O Decreto-Lei nº 148, de 17 de dezembro de 1938, que fixou o quadro territorial e as divisas interdistritais de Minas, descreve a divisa "entre os distritos de Poté e Ladainha" — Ladainha era, então, distrito do município de Poté. O Decreto-Lei nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, repete o arranjo: no município de Poté, os distritos de Poté, Ladainha e Valão, com Ladainha na categoria de vila. A emancipação veio com a Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, que fixou a divisão administrativa e judiciária do quinquênio 1949-1953 e entrou em vigor em 1º de janeiro de 1949: Ladainha é o número 46 do "I Grupo — Distritos Emancipados" do Anexo nº 1, com limites descritos com quatro municípios — Malacacheta, Novo Cruzeiro, Teófilo Otoni e Poté — e a nota de que o texto foi mexido pela Lei nº 484, de 14 de novembro de 1949. Cinco anos depois, a Lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, mostra o município já com dois distritos, Ladainha, na categoria de cidade, e Concórdia do Mucuri, "ex-Concórdia", e o põe, na parte judiciária, na comarca de Teófilo Otoni, com Ataléia e Poté.
O vínculo com Teófilo Otoni, portanto, é de nascença: Ladainha nunca pertenceu a outra comarca desde que virou município, e a comarca-mãe — instalada em 14 de junho de 1892, segundo o Guia Judiciário do TJMG — é quase seis décadas mais velha que o município. Hoje o limite com Poté continua sendo o que a lei de 1948 descreveu com a ferrovia como referência, mas o território também encosta, pela malha municipal do IBGE, em Itaipé e Setubinha, municípios criados depois e que não aparecem no texto de 1948 porque não existiam.