História
Poté nasceu das estradas de Teófilo Otoni. Quando a Companhia do Comércio e Navegação do Mucuri abriu caminhos entre Filadélfia — a futura Teófilo Otoni — e Minas Novas, uma declaração de 1855 que a Prefeitura reproduz já menciona a estrada "do Poté para a Trindade". Em 1856, segundo o relatório de Teófilo Benedito Ottoni reproduzido por Frei Samuel Tetteroo em 1922, havia famílias estabelecidas no lugar. No sítio do antigo aldeamento indígena fixou-se Militão Vieira Maia, que em 1889 ergueu um cruzeiro abençoado pelo vigário de Teófilo Otoni, Virgulino Baptista Nogueira — "esse lugar talvez mais tarde será uma grande povoação, uma cidade", teria dito ele. Vieram famílias de Araçuaí e de Minas Novas, atraídas pela terra fértil; em 1894 levantou-se a primeira capela, que deu lugar à matriz do Senhor Bom Jesus. No começo do século XX Poté era capela filial de Sete Posses, a atual Concórdia do Mucuri, e tinha a sorte de ser a residência do vigário, o capuchinho Frei Gaspar de Modica, lembrado hoje na Praça Frei Gaspar. Em 1909 o povoado tinha agência dos Correios e cerca de cento e vinte casas. A lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, criou o distrito, instalado em 1º de junho de 1912; em 26 de agosto do mesmo ano o arcebispo de Diamantina elevou a capela a paróquia. Nos anos 1920 Poté era um dos distritos mais povoados de Teófilo Otoni, com café, mandioca, milho, feijão e cana, e em 1924 o jornal "O Poté" anunciava a iluminação a querosene. A emancipação veio com o Decreto-Lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, a lei que redesenhou a divisão administrativa e judiciária de Minas para o quinquênio 1939-1943: Poté nasceu município com três distritos — a sede, Valão e Ladainha — e cerca de 24 mil habitantes no recenseamento de 1940, pelos números que a Prefeitura publica. Dez anos depois perdeu mais da metade da população: a Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, emancipou Ladainha. A ferrovia Bahia-Minas, que cortava o município de leste a oeste com estações em Valão, Sucanga, Caporanga, Ladainha e Brejaúba, funcionou até a década de 1960. Na Justiça, o vínculo com Teófilo Otoni nunca se rompeu: a Lei nº 1.039, de 1953, já põe Poté como termo da comarca de Teófilo Otoni, e é lá que o poteense ajuíza a sua ação até hoje.