História
Ataléia é uma das cidades mais jovens do Vale do Mucuri, e a sua história cabe inteira no século XX. O verbete do IBGE situa em 1928 a chegada de Vicente Pedroso dos Santos, vindo de Teófilo Otoni, que abriu as primeiras derrubadas e ergueu a primeira casa; dois anos depois vieram outras famílias, e o pioneiro doou três alqueires de terra para o comércio e para a igreja do Senhor Bom Jesus da Lapa, cuja primeira missa é do mesmo ano de 1928. O que trouxe gente foi o garimpo: as lavras do Avião, do Córrego Seco, do Terreiro de Pedra, da Conja e das Caianas ainda marcam o território, diz o registro. O povoado se chamava Santa Cruz e ficava dentro do município de Itambacuri, nas terras dos distritos de São Fidélis e de São Pedro, e foi a divisão territorial de Minas para o quinquênio de 1944 a 1948 que o transformou em município: o Decreto-Lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, criou Ataléia com o distrito de Fidelândia — o antigo São Fidélis, que Itambacuri perdeu — e com parte do distrito de Pescador, o antigo São Pedro, rebatizando a sede de Santa Cruz para Ataléia. O nome, conta o verbete, vem do papel de posto de observação que o lugar teve numa expedição do governo de Benedito Valadares destinada a estudar a emancipação dos povoados fronteiros com o Espírito Santo — e a fronteira com o estado vizinho continua lá, no limite leste do município. Nas décadas seguintes o território se refez duas vezes. A Lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, criou o distrito de Ouro Verde de Minas com terras vindas de Itambacuri, e a divisão de 1955 já dava a Ataléia três distritos; a Lei nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, desmembrou Ouro Verde de Minas e o elevou a município — hoje vizinho e integrante da mesma comarca —, deixando Ataléia com a sede, dividida em dois subdistritos, e Fidelândia. Em 13 de maio de 1976, a Lei nº 6.769 criou o distrito de Novo Horizonte, e a base atual do IBGE registra ainda Tipiti e São Miguel. Há um fio judiciário nessa história que poucas cidades têm tão nítido: o mesmo decreto-lei que criou Ataléia anotou, no quadro das circunscrições judiciárias, que o termo de Teófilo Otoni passava a abranger o novo município. Desde o primeiro dia, o foro de Ataléia é Teófilo Otoni — a cidade de onde veio, em 1928, o seu primeiro morador.