História
Fervedouro nasceu de uma fonte que parecia ferver. Pela tradição oral que o verbete do IBGE registra, tropeiros acharam os poços de água mineral em plena mata e chamaram o lugar pelo que viam: bolhas subindo como água em ebulição. Em 1872 uma expedição de médicos e farmacêuticos saída de São Francisco do Glória abriu picada até lá e fez os primeiros exames químicos da água; em 1880 o historiador Diogo de Vasconcelos publicou trabalho sobre as propriedades curativas das águas de Fervedouro. O arraial veio de uma doação de terras: em 22 de julho de 1890 foram doados dois alqueires para um povoado que se chamaria São Carlos, e em 29 de agosto de 1891 a doação foi ratificada para que o arraial ficasse junto às fontes. No mesmo ano, um engenheiro francês dono da área dos poços pediu privilégio para uma estrada de ferro que ligaria Carangola às águas — a ferrovia nunca veio, e o arraial recebeu o nome oficial de Santa Bárbara do Fervedouro, que o povo também não adotou. O que fez a cidade foi a estrada de rodagem: autorizada em 1918, inaugurada até Fervedouro e São Pedro do Glória em 1937, e depois a Rio-Bahia, cujo trecho até São João do Manhuaçu começou em 1939 e cujo asfalto chegou em 1961-1962, trazendo para a margem do córrego os estabelecimentos que atendiam a estrada. Os poços passaram à Prefeitura de Carangola em 1944. O distrito foi criado pela Lei estadual nº 1.039, de 1953, e em 15 de novembro de 1991 o plebiscito da emancipação teve 2.715 votos a favor; a Lei estadual nº 10.704, de 27 de abril de 1992, fez o município, com São Pedro do Glória e Bom Jesus do Madeira, e o primeiro governo tomou posse em 1º de janeiro de 1993. O município saiu de Carangola, mas o processo judicial de quem mora nele nunca saiu: o fórum continua sendo o da cidade-mãe.