História
Matipó é uma cidade feita de separações, e o mapa judiciário de hoje é a memória delas. O verbete do IBGE conta que as primeiras casas do povoado surgiram em 1840 e que, vinte anos depois, o fazendeiro João Fernandes dos Santos doou as terras onde se ergueu uma capela para São João Batista — daí o nome São João do Matipó, que o lugar levou como distrito. O verbete dá duas versões para a criação desse distrito: uma diz que ele surgiu em 1884 subordinado a Ponte Nova e passou a Abre Campo em 1889; a outra, que foi criado por lei provincial de 1856 e pela Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, já subordinado a Abre Campo. Em qualquer das duas, o século XX abre com São João do Matipó como distrito de Abre Campo — e é assim que ele aparece na divisão administrativa de 1911 e nas de 1936 e 1937. A emancipação veio pelo Decreto-Lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, que criou o município de Matipó "desmembrado dos municípios de Abre Campo e Manhuassu", com três distritos: Matipó, Santa Helena e Santa Margarida, estes dois tirados de Manhuaçu. O Decreto-Lei nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, rebatizou Santa Helena como Caputira. Depois vieram as perdas: a Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, emancipou Santa Margarida; a Lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, criou o distrito de Padre Fialho, no antigo povoado de Garimpo; e a Lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, emancipou Caputira. Desde 1963 o município tem os dois distritos de hoje. A consequência para o processo é curiosa: os dois ex-distritos de Matipó, Caputira e Santa Margarida, respondem hoje ao mesmo fórum que Matipó, e o fórum fica na cidade de que Matipó saiu. A lei estadual de organização judiciária guardou o desenho de 1938 numa comarca de Matipó que nunca funcionou.