História
Minas Novas é mais velha que a divisão judiciária do estado. Em 1727 um grupo chefiado por Sebastião Leme do Prado achou ouro num afluente do rio Fanado, e o achado virou o arraial de São Pedro do Fanado, em torno de uma capelinha. Dois anos depois já era vila; em 2 de outubro de 1730 foi elevada a município com o nome de Bom Sucesso das Minas do Fanado — e na Capitania da BAHIA, não na de Minas Gerais, porque o descobridor, seguindo orientação de primos estabelecidos em Itacambira, comunicou o ouro ao governador baiano. A disputa durou décadas: o Conselho Ultramarino sujeitou a vila à comarca do Serro ainda em 1730, a criação da comarca de Jacobina a levou temporariamente de volta à Bahia, e só em 10 de maio de 1757 uma resolução ultramarina incorporou o território definitivamente à comarca do Serro e ao governo de Minas Gerais. Esgotado o ouro, a vila virou centro de algodão em rama, cobertores e tecidos grossos, e da seda que Saint-Hilaire, de passagem em 1817, descreveu como longa e macia. Em 1840 a lei provincial nº 163 fez a cidade e cortou o nome para Minas Novas. Em 1856 propôs-se ao parlamento do Império criar a província autônoma de Minas Novas, com a cidade por capital, reunindo a comarca mineira do Jequitinhonha às comarcas baianas de Porto Seguro e Caravelas — não vingou. Tampouco vingou o ramal ferroviário Filadélfia–Minas Novas da Estrada de Ferro Bahia-Minas, e foi essa ferrovia que não veio que deixou a região dependente das estações de Teófilo Otoni e Diamantina. A comarca própria chegou em 13 de janeiro de 1892. Depois veio a desmontagem territorial: a lei estadual nº 843, de 1923, rebatizou os distritos de Piedade e Água Limpa como Turmalina e Berilo; a lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, levou Turmalina, Caçaratiba e Veredinha para formar o município de Turmalina e renomeou Sucuriú como Francisco Badaró; a lei nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, emancipou Berilo, Chapada do Norte e Francisco Badaró de uma vez; e a lei nº 12.030, de 21 de dezembro de 1995, levou Leme do Prado. Dos filhos de 1962, os três voltaram como jurisdicionados da comarca; os de 1948 e 1995, não.