História
Ninheira é uma cidade da segunda metade do século XX, nascida de uma feira e batizada por uma árvore. O verbete do IBGE conta que o lugar esteve "durante muitos anos sob os domínios de São João do Paraíso" e que os primeiros moradores — Eliezer Pena, José Rosa de Almeida, José Rocha Brandão, João Gonçalves e Gregório de Morais — começaram a construir as casas em 1957. A feira de rua fez o resto, reunindo a produção das fazendas da volta e dando ao povoado uma razão para crescer. O nome ficou por conta de uma árvore do centro, carregada de ninhos. A história de Ninheira, portanto, é a de um pedaço do território de São João do Paraíso que ganhou vida própria — e São João do Paraíso, por sua vez, tinha nascido de Rio Pardo, desmembrado pelo Decreto-Lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943. A emancipação veio no grande conjunto de municípios criado pela Lei estadual nº 12.030, de 21 de dezembro de 1995, que redesenhou o mapa mineiro e criou, no norte do estado, municípios como Nova Porteirinha, Pai Pedro, Novorizonte, Padre Carvalho, Santo Antônio do Retiro e Vargem Grande do Rio Pardo. O item XLIX dessa lei trata de Ninheira: distrito-sede sem outros distritos, município remanescente São João do Paraíso, comarca São João do Paraíso. O município foi instalado em 1º de janeiro de 1997. A mesma lei descreve a divisa em termos de água e de serra — o rio Pardo, os córregos Jacaré e Mundo Novo, o rio Muquém, o Alto do Valo Fundo com seu marco interestadual e a confluência dos rios Pardo e Mosquito —, e é essa geografia de rios de divisa que explica por que Ninheira é, até hoje, uma cidade de fronteira com a Bahia. O capítulo judiciário é mais recente ainda: a comarca que julga os ninheirenses, a de São João do Paraíso, estava prevista na Lei Complementar nº 59/2001 e só foi instalada em 19 de dezembro de 2009, doze anos depois da instalação do município.