História
Bauru nasceu no papel antes de nascer no chão. O verbete histórico do IBGE conta que por volta de 1856 dois posseiros ergueram paliçadas e casebres na mata e que um deles, para garantir a terra, viajou até Botucatu e registrou a posse assinando "Bauru, 15 de abril de 1856" — a primeira vez que o nome apareceu em documento oficial. O povoado cresceu à margem do Rio Bauru, dentro do município de Lençóis; em 1887 virou vila com o nome de Espírito Santo da Fortaleza, e o patrimônio foi elevado a Distrito de Paz pela Lei estadual nº 209, de 30 de agosto de 1893. Um mineiro de Lavras que se radicou ali em 1888 é tido pela Memória do TJSP como fundador. Em 1º de agosto de 1896 a Lei nº 428 mudou o nome do município para Bauru e transferiu a sede para a povoação que já suplantara a antiga — a Memória do Tribunal observa que "alguns autores consideram essa lei a de criação do município". O destino da cidade, porém, foi selado pelos trilhos. O Decreto federal nº 5.349, de 18 de outubro de 1904, fixou que a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil partiria "da vila de Bauru, localizada na chamada Boca do Sertão"; em julho de 1905 chegaram os trilhos da Sorocabana; em 27 de setembro de 1906 a Noroeste inaugurou o primeiro trecho até Jacutinga (hoje Avaí), rumo a Mato Grosso; e em 1910 chegou a Companhia Paulista de Estradas de Ferro. "Estava formado aquele trinômio, alicerçado nas paralelas de aço", diz o verbete — Bauru virou "um dos mais importantes entroncamentos ferroviários da América do Sul" e a porta da marcha para o oeste. A comarca veio no mesmo ano da terceira ferrovia: Lei nº 1.225, de 16 de dezembro de 1910. O município que em 1911 tinha seis distritos (Bauru, Jacutinga, Miguel Calmon, Penápolis, Piatã e Pirajuí) foi cedendo território a novos municípios — Penápolis em 1913, Pirajuí em 1914, Avaí em 1919 — e ficou, desde o quadro de 1944, com dois: a sede e Tibiriçá. A Memória do TJSP divide a história em três fases — desbravamento e lutas políticas até a mudança da sede; crescimento vegetativo até o primeiro quartel do século XX; e, daí em diante, "progresso e crescimento sem limites", origem do epíteto que a cidade adotou.